As declarações contraditórias do presidente Lula sobre o voto impresso levantam uma questão inevitável: por que o STF, em particular Alexandre de Moraes, não age com o mesmo rigor em relação ao chefe do executivo que demonstrou ao perseguir outros indivíduos que pediram por transparência no processo eleitoral? Afinal, não é esse o padrão utilizado para colocar outras pessoas sob investigação no inquérito das fake news?
Em 2021, Lula foi claro ao rejeitar o voto impresso, associando a proposta ao que chamou de "volta aos dinossauros". Nas redes sociais, ele afirmou que o debate sobre o voto impresso não fazia sentido, criticando diretamente o então presidente Bolsonaro. No entanto, ao comentar as eleições na Venezuela, Lula surpreendentemente defendeu o uso do voto impresso como uma forma de conferir mais transparência ao processo eleitoral, ao comparar o sistema venezuelano com o brasileiro, dizendo: “Quando você vota numa máquina eletrônica como aqui, tem um ticket, o voto impresso, que é colocado numa urna”.
Então, qual é a verdadeira posição de Lula sobre o voto impresso? Quando convém, ele defende; quando é conveniente politicamente, ele é contra. A hipocrisia fica ainda mais evidente quando olhamos para a postura de Alexandre de Moraes. O ministro do STF já ordenou investigações e até prisões de pessoas que defenderam o voto impresso no Brasil, sob o argumento de que estavam questionando a legitimidade do sistema eleitoral e promovendo narrativas antidemocráticas. Se defender o voto impresso é sinônimo de antidemocracia, como Moraes vai lidar com o presidente da República defendendo justamente essa ideia?
Outro ponto crucial que merece destaque são as conversas vazadas envolvendo assessores de Moraes, que revelam que ele estava diretamente envolvido em decisões de suspender perfis de redes sociais que utilizassem a hashtag #votoimpresso, além de determinar investigações contra aqueles que defendiam essa pauta. Por muito menos, outras figuras políticas e cidadãos foram enquadrados no inquérito das fake news. Lula, que agora defende o voto impresso, não deveria estar sujeito ao mesmo rigor?
A contradição se agrava quando observamos o tratamento que Lula recebe. Após ser eleito, o presidente se reuniu com Moraes em eventos públicos, onde trocas de abraços calorosos marcaram um contraste gritante com a atitude implacável que o ministro adota com qualquer um que ousa questionar o sistema eleitoral.
Se Alexandre de Moraes realmente segue sua própria "régua", como vimos em diversos casos envolvendo opositores políticos, não há como ignorar as falas de Lula sobre o voto impresso. A questão agora é: Moraes terá a coragem de aplicar o mesmo rigor ao presidente? Ou o critério mudará, conforme a conveniência política? Fica claro que, em um sistema onde as regras parecem valer para alguns, mas não para outros, a confiança na imparcialidade das instituições é colocada em xeque.
Enquanto aguardamos por respostas, a verdade é que o discurso de Lula sobre o voto impresso, além de incoerente, expõe as contradições de um sistema que persegue uns enquanto protege outros. Se a defesa do voto impresso é um crime, conforme Moraes já deixou claro, então o presidente deveria estar na mira do inquérito das fake news. Ou será que o peso da lei varia conforme a conveniência política?
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