quinta-feira, 20 de novembro de 2025

BANCO CENTRAL DESLIGA A BLOCKCHAIN DO DREX: UM SINAL DE ALERTA SOBRE O FUTURO DO DINHEIRO E DA LIBERDADE FINANCEIRA




O “REAL DIGITAL” TROPEÇA: O FIASCO TÉCNICO QUE REVELA UM PROBLEMA MUITO MAIOR

O projeto mais ambicioso do Banco Central do Brasil para digitalizar o sistema financeiro nacional — o DREX, a futura moeda digital do governo — sofreu um golpe decisivo: a blockchain usada nas fases 1 e 2 foi desligada permanentemente.
A justificativa oficial é técnica: “falhas de privacidade” detectadas na plataforma Hyperledger Besu, o sistema sobre o qual o Drex vinha sendo testado.
Mas para quem entende o jogo, o problema vai muito além do código.

O desligamento da blockchain expõe o dilema central das moedas digitais de bancos centrais (CBDCs): a promessa de inovação e eficiência esconde um projeto global de vigilância financeira e controle social.


O QUE ACONTECEU, DE FATO?

De acordo com reportagem da Infomoney, o Banco Central confirmou que a plataforma usada na fase 2 será encerrada e que a fase 3 só deve começar em 2026, com uma tecnologia “nova e mais segura”.
O motivo seria a incapacidade da infraestrutura atual de garantir o sigilo das transações entre os participantes do sistema — algo que contradiz a promessa inicial de privacidade feita pelo próprio BC.

Em outras palavras: o sistema que deveria ser o “futuro digital do real” não conseguiu garantir o básico — a confidencialidade.

Fontes próximas ao consórcio de bancos e empresas envolvidas no projeto relatam que os testes mostraram vulnerabilidades graves, permitindo que o operador central (o próprio BC ou agentes designados) tivesse acesso total às transações e saldos dos usuários.


UM “REAL DIGITAL” SOB CONTROLE TOTAL

Na teoria, o DREX seria uma inovação revolucionária.
Na prática, ele funcionaria sobre uma rede permissionada, onde apenas instituições previamente aprovadas pelo Banco Central poderiam operar.
Ou seja: o cidadão comum não teria acesso direto à blockchain, mas apenas através de intermediários — bancos, cooperativas e fintechs.

Essa estrutura de “controle intermediado” já nasce com o DNA do sistema financeiro tradicional, mas com uma diferença crucial: cada unidade de Drex poderia ser rastreada, controlada e até programada.

Isso significa que o dinheiro poderia, tecnicamente:

  • ter prazos de validade;

  • ser bloqueado ou confiscado remotamente;

  • permitir descontos automáticos de impostos;

  • ou restringir onde e em que pode ser gasto.

Essas funcionalidades não são teorias conspiratórias — elas estão documentadas nas especificações técnicas das CBDCs em vários países e já foram testadas nos protótipos brasileiros.


DO “PIX TURBINADO” À MOEDA PROGRAMÁVEL

O Brasil é um dos líderes mundiais em pagamentos digitais.
O Pix tornou-se parte da rotina do brasileiro — rápido, gratuito, prático.
Mas o preço da conveniência é a perda do anonimato.
Cada transação gera rastros e pode ser cruzada com dados fiscais, bancários e até de segurança pública.

O DREX levaria esse modelo ao extremo:
diferente do Pix, que apenas transfere dinheiro, o Drex seria o próprio dinheiro — em forma de código.

Isso abriria espaço para “regras de uso” embutidas no dinheiro.
Um Drex poderia, por exemplo, expirar após 90 dias, ser aceito apenas em determinados setores ou impedir compras de produtos considerados “nocivos”.

Em nome da “eficiência”, o Estado passaria a ter controle granular sobre cada centavo circulante.
E como todo poder tende a ser abusado, não é difícil imaginar onde isso leva.


O PROBLEMA NÃO É O CÓDIGO — É O CONCEITO

O desligamento da blockchain do DREX não é apenas um “atraso técnico”.
É um sintoma da contradição central das moedas digitais estatais:
elas tentam unir o discurso da descentralização com a prática da centralização absoluta.

O Estado fala em “inovação”, mas o que constrói é uma infraestrutura de monitoramento financeiro em tempo real.
O DREX, sob o pretexto de “inclusão financeira”, criaria um sistema em que a propriedade privada depende da permissão estatal.

E se o seu dinheiro pode ser rastreado, limitado, bloqueado ou programado, ele já não é mais seu.


“NÃO, O ESTADO NÃO VAI USAR ESSA TECNOLOGIA CONTRA VOCÊ”

É o que dizem agora.
Mas a história é clara: toda tecnologia de controle criada “para o bem” acaba sendo usada para o mal.

O sistema de vigilância da China começou como uma iniciativa “para combater a fraude”.
Hoje, o “Yuan Digital” é parte do sistema de crédito social — cidadãos podem ter suas contas bloqueadas por comportamento “indevido”, críticas ao governo ou simples desobediência às normas locais.

E o DREX, com todas as suas “camadas de segurança”, segue a mesma lógica estrutural.
O que o Banco Central pode fazer tecnicamente — rastrear, bloquear, programar — um dia fará politicamente.


A ESTRATÉGIA: FAZER O CONTROLE PARECER CONVENIENTE

A armadilha é sofisticada.
Ninguém vai obrigar o brasileiro a usar o DREX de um dia para o outro.
Primeiro, virão os incentivos — cashback, vantagens fiscais, integração automática com o Pix.
Depois, o desuso do dinheiro físico, sob o argumento da “modernização”.
E quando o papel-moeda desaparecer, a última fronteira de liberdade financeira também desaparecerá.


A VISÃO LIBERTÁRIA: LIBERDADE FINANCEIRA É LIBERDADE CIVIL

Para o pensamento libertário, o controle sobre o próprio dinheiro é parte inseparável da autonomia individual.
Um sistema onde o governo pode determinar como, quando e onde você gasta é, por definição, uma forma de submissão econômica.

Por isso, o desligamento da blockchain do DREX deve ser visto como um alerta e uma oportunidade.
Um lembrete de que a centralização sempre falha, e de que a verdadeira inovação nasce da descentralização.


BITCOIN: A ANTÍTESE DO DREX

Enquanto o DREX depende da confiança no Estado, o Bitcoin depende da confiança em código aberto e verificável.
Enquanto o DREX é permissionado e rastreável, o Bitcoin é público, descentralizado e resistente à censura.
Enquanto o DREX é programável pelo governo, o Bitcoin é programável pelo indivíduo.

No ecossistema Bitcoin:

  • Ninguém pode congelar sua conta.

  • Nenhum imposto é descontado automaticamente.

  • Nenhum governo pode impor validade ao seu dinheiro.

O Bitcoin devolve o poder a quem realmente deve tê-lo: o usuário.


O DILEMA FINAL: EFICIÊNCIA OU LIBERDADE

O DREX promete eficiência.
Mas eficiência sem liberdade é apenas um nome bonito para controle total.
E o verdadeiro avanço tecnológico não está em criar moedas digitais estatais, mas em preservar a soberania individual no mundo digital.

Por isso, o desligamento da blockchain do DREX é um momento de reflexão.
Não sobre linhas de código — mas sobre quem deve ter o poder de decidir o que você faz com o fruto do seu trabalho.


CONCLUSÃO: O DREX CAI, MAS A DISPUTA CONTINUA

O fim da fase 2 do DREX é, na prática, o reconhecimento de um fracasso técnico — mas também um sintoma de resistência social e política.
O Brasil, país do Pix e da inovação digital, começa a perceber que eficiência e liberdade nem sempre andam juntas.

A tecnologia que prometia inclusão pode se tornar a ferramenta de controle mais sofisticada já criada.
Mas há um antídoto: a descentralização, a educação financeira e o uso consciente de tecnologias livres como o Bitcoin.

A liberdade financeira não será concedida — precisa ser conquistada e defendida.
E como lembrou o artigo da Visão Libertária, o Bitcoin não é apenas um investimento:
é um ato de desobediência pacífica, um lembrete de que a propriedade só é real quando não pode ser desligada por decreto.


quarta-feira, 19 de novembro de 2025

A GUERRA CONTRA O RISO: QUANDO O ESTADO E A CULTURA DO CANCELAMENTO QUEREM CENSURAR PIADAS

 


“Quando até o riso é considerado crime, não é a piada que está em julgamento, mas a própria liberdade.”

O riso é um ato de liberdade. É o momento em que o ser humano desarma o medo, desmistifica o poder e ri do absurdo da própria existência.
Mas em 2025, rir virou um ato de resistência.

A prisão do comediante irlandês Graham Linehan, criador de séries icônicas como Father Ted e The IT Crowd, foi apenas mais um capítulo na guerra silenciosa contra o humor — uma guerra travada em nome da “segurança”, da “inclusão” e da “proteção das minorias”, mas que, na prática, vem transformando piadas em crimes e comediantes em inimigos do Estado.


Do palco à prisão: o novo campo de batalha da liberdade

Linehan foi preso no aeroporto de Heathrow por causa de três tweets.
Sim, três frases publicadas numa rede social foram suficientes para justificar uma operação policial armada.
O crime? “Discurso de ódio”.
O contexto? Humor.

Se fosse alguém incitando violência real — como o conselheiro do Labour Party, Ricky Jones, que clamou para “decepar opositores políticos” — talvez houvesse sentido.
Mas não. Linehan fez uma piada sobre o absurdo de permitir homens biológicos em espaços femininos e escreveu, com ironia:

“Se um homem que se identifica como mulher entrar num espaço exclusivo para mulheres, chame a polícia. Se nada mais funcionar, dê um soco nas bolas dele.”

Foi o bastante para ser algemado, interrogado e forçado a excluir suas contas nas redes sociais como condição para ser libertado.
Um caso digno de ditaduras teocráticas, mas ocorrido no coração da Europa.


O humor virou alvo do Estado — e o pretexto é sempre o mesmo

As leis que justificam esse tipo de perseguição são apresentadas ao público com títulos nobres e enganosos.
No Reino Unido, a “Online Safety Act” foi vendida como uma medida para proteger crianças e combater discursos de ódio.
Mas, assim como o PL das Fake News no Brasil, o que ela faz de fato é dar ao Estado o poder de decidir o que é “seguro” dizer — e o que é “perigoso demais” para ser dito.

De repente, o comediante não é mais um provocador social, mas um “potencial criminoso”.
A sátira, que nasceu para desafiar o poder, se tornou refém do poder.

E quando o humor precisa pedir permissão para existir, é sinal de que a liberdade já foi embora há muito tempo.


O cancelamento cultural virou braço da censura estatal

O caso de Linehan não é um acidente isolado.
Ele é o espelho de uma tendência global: a fusão entre a cultura do cancelamento digital e o aparelho repressivo estatal.

Antes, o humorista era cancelado nas redes, perdia contratos e tinha shows boicotados.
Agora, ele pode ser preso, processado e silenciado por ordem judicial.

O Festival Fringe de Edimburgo, que por décadas foi o refúgio da comédia experimental e da irreverência britânica, hoje age como uma delegacia cultural.
Shows cancelados, cartazes censurados, nomes de espetáculos alterados à força — tudo para não “ofender sensibilidades”.

Em 2025, os comediantes Markel Kif e Rich Shirry foram obrigados a renomear seu show após uma onda de indignação no TikTok.
A sátira era sobre criminosos, mas a militância online concluiu — sem sequer assistir ao show — que era “ofensiva”.
O festival cedeu, o nome foi trocado, e a arte foi castrada.

Essa é a nova forma de censura: o medo de ofender se tornou o censor mais eficiente que o governo poderia desejar.


O Brasil não ficou de fora dessa guerra

A perseguição ao humor não é exclusividade europeia.
Aqui, o comediante Léo Lins foi condenado a 8 anos de prisão por piadas — repito: por piadas — feitas em seu show Perturbador.
Seu espetáculo foi retirado do YouTube por ordem judicial, e o humorista passou a ser tratado como criminoso reincidente por “ofender minorias”.

As mesmas autoridades que ignoram crimes violentos e corrupção agem com brutalidade contra um artista cujo único “delito” foi fazer rir de temas proibidos.

E o mais trágico é que boa parte da classe artística — outrora vítima da censura militar — aplaude a censura progressista.
Os que antes gritavam “arte não se cala!” agora repetem “certas piadas não se fazem!”.
Ou seja: mudaram o censor, mas mantiveram a censura.


O humor é o último bastião da liberdade

Desde Aristófanes na Grécia Antiga até George Carlin no século XX, o humor sempre foi a ferramenta mais poderosa contra a tirania.
A piada é o espelho que mostra o ridículo do poder, o exagero das ideologias, o absurdo das certezas.
E é exatamente por isso que todo regime autoritário teme o riso.

Porque quem ri não teme.
E quem não teme, não obedece.

O humor é a prova viva de que ainda pensamos por conta própria — e é por isso que ele precisa ser domesticado.
A censura estatal e a patrulha moral não buscam proteger ninguém; buscam impedir que a sociedade perceba o quanto tudo se tornou uma farsa.


A cultura da ofensa: quando o ego virou política

Vivemos numa era em que a identidade pessoal se tornou dogma religioso.
Ser “ofendido” virou um direito.
E quanto mais alguém se declara ofendido, mais poder ganha sobre os outros.

É o mecanismo perfeito para quem quer controlar discursos:
basta se dizer ferido para exigir silêncio.

A consequência é o que já estamos vendo — artistas autocensurados, comediantes neutros, piadas domesticadas.
A graça desaparece, e com ela desaparece a honestidade.
O medo de ofender destrói o impulso natural de observar e questionar.

Mas o humor nunca foi sobre agradar — ele é sobre revelar.
E a verdade, quando dita de forma engraçada, dói mais do que qualquer discurso político.


A responsabilidade individual substituída pela tutela estatal

O argumento dos censores é sempre o mesmo: “precisamos proteger as pessoas do discurso de ódio”.
Mas quem decide o que é ódio?
Quem define o limite entre uma crítica ácida e uma agressão?

No modelo libertário, cada indivíduo é dono de sua mente, de sua fala e de sua reação.
Se uma piada te ofende, você tem o direito de não ouvir, de sair do show, de desligar o vídeo — mas não de calar o artista.

Censura é sempre um ato de violência contra a liberdade de escolha.
E a ideia de que o Estado deve “proteger” os cidadãos de palavras ofensivas é o primeiro passo para criminalizar o pensamento divergente.


Quando a comédia morre, a tirania sorri

A história é clara: nenhum regime autoritário tolera humor.
Stálin mandava prender caricaturistas.
Mao Tsé-Tung proibia piadas sobre o Partido.
E no Brasil de hoje, ministros da Suprema Corte decidem o que pode ou não ser dito em um palco.

O riso é o último espaço de resistência, e é por isso que querem destruí-lo.
O humor escapa do controle. Ele é espontâneo, imprevisível, anárquico — exatamente o oposto do que o Estado deseja.

Por isso, quando prendem um comediante, não estão punindo uma piada.
Estão advertindo toda a sociedade: “vocês só podem rir quando permitirmos”.


O preço de viver em uma sociedade sem humor

Uma sociedade que tem medo de rir se torna uma sociedade doente.
O riso é uma forma de inteligência, de distanciamento emocional, de sobrevivência mental.
Sem ele, só resta o ressentimento e o fanatismo.

A cultura do cancelamento é o espelho de uma geração que troca maturidade emocional por controle coletivo.
E o Estado, percebendo essa fragilidade, usa o vitimismo como ferramenta política.
Em nome da “proteção”, nos tiram o direito de rir — e, pouco a pouco, o direito de pensar.


Conclusão: a liberdade de rir é a liberdade de ser

O humor é a linguagem universal da liberdade.
Quando ele morre, o que vem em seu lugar é o medo — o medo de dizer, de pensar, de existir fora da cartilha.

Hoje, a guerra contra o riso é a guerra contra o indivíduo.
E se não defendermos os comediantes — os que ousam dizer o que ninguém mais tem coragem —, amanhã seremos nós os proibidos de falar, escrever ou rir.

Como disse Léo Lins, condenado por fazer o que sempre fez:

“É muito injusto e até egoísta a dor opcional de alguns servir de justificativa para impedir o sorriso de outros.”

Eis o ponto: a liberdade de expressão não é sobre proteger o que é popular, mas o que é impopular, incômodo e provocador.
Porque, no fim das contas, o riso é o último refúgio dos livres.



terça-feira, 18 de novembro de 2025

COMO VIVER PARA SEMPRE: PUTIN E XI JINPING TÊM A RESPOSTA?

“Imortalidade através da biotecnologia” — ou o delírio dos deuses de carne e osso

Soa como ficção científica — mas, segundo uma gravação vazada durante um desfile militar em Pequim, Vladimir Putin, Xi Jinping e Kim Jong-un estariam discutindo nada menos do que a imortalidade.
O microfone captou parte da conversa enquanto os três ditadores caminhavam para a celebração dos 80 anos do fim da Segunda Guerra Mundial, e o tema, inusitadamente, não era geopolítica, mas transplantes de órgãos e rejuvenescimento biotecnológico.

O tradutor de Putin teria dito:

“A biotecnologia está se desenvolvendo continuamente. Os órgãos humanos podem ser continuamente transplantados. Quanto mais você vive, mais jovem se torna, e pode até alcançar a imortalidade.”

Xi Jinping respondeu, confiante:

“Alguns preveem que neste século os seres humanos poderão viver até 150 anos.”

Kim Jong-un — talvez o mais cínico do trio — limitou-se a sorrir em silêncio.

Aparentemente, o clube dos autocratas quer levar a tirania além da biologia.
Mas será que isso é possível? E, mais importante, que tipo de mundo surgiria se os líderes nunca morressem?


A ilusão do corpo eterno

Antes de analisarmos o impacto político e filosófico, vale olhar o lado técnico.
É verdade que a biotecnologia avança rapidamente. Hoje já existem impressoras 3D de tecidos, órgãos artificiais, cultivos de células-tronco personalizadas e até experimentos de rejuvenescimento celular.

Em teoria, sim — poderíamos substituir órgãos defeituosos indefinidamente.
Mas a prática médica impõe limites claros: cada cirurgia é um trauma, e cada transplante exige supressão imunológica constante, o que enfraquece o corpo e o torna vulnerável.
O ser humano pode trocar fígado, rim, coração — mas não pode trocar o cérebro.

E o cérebro, com o tempo, envelhece, perde plasticidade e acumula danos irreversíveis.
Por isso, a promessa de “viver para sempre” é, por enquanto, um devaneio de quem confunde poder político com poder sobre a natureza.


O sonho autoritário da eternidade

É curioso que justamente os ditadores sejam os mais obcecados pela imortalidade.
De Alexandre, o Grande a Hitler, de Mao a Putin, todos acreditaram que poderiam transcender o tempo — seja pela glória, pela ideologia ou, agora, pela ciência.

A diferença é que, no passado, a imortalidade era simbólica: o “nome na História”.
Hoje, ela é biológica: a promessa literal de não morrer.

Mas imagine o impacto disso: um regime onde o governante nunca envelhece, nunca sai do poder e nunca é substituído.
A democracia já morreria de causas naturais; o autoritarismo, por sua vez, se fossilizaria.

E o mundo governado por seres “eternos” seria inevitavelmente um mundo sem renovação, sem mudança, sem esperança.
O tempo, que corrige os erros e renova as gerações, é o maior inimigo da tirania.
Por isso, tentar dominá-lo é o último ato de desespero dos que já acreditam ser deuses.


150 anos de vida — ou 150 anos de dominação?

Quando Xi Jinping fala em viver até 150 anos, há um detalhe que não se deve ignorar:
ele já tem 72.
Ou seja, ele está falando de duplicar sua própria expectativa de vida — o que, para um líder que eliminou a alternância de poder na China, soa menos como curiosidade científica e mais como projeto de perpetuação pessoal.

Mas mesmo que fosse possível estender a vida humana a esse ponto, o que isso significaria politicamente?
Mandatos eternos? Presidências hereditárias? Ditaduras sem sucessores?

A tecnologia, nas mãos erradas, não liberta — aprisiona.
E regimes que já controlam seus cidadãos até o nível digital (como China e Coreia do Norte) certamente não hesitariam em controlar também seus corpos.

O sonho da longevidade pode facilmente se transformar no pesadelo do controle biológico.


Imortalidade e justiça: um dilema sem fim

Mas, suponhamos que o impossível aconteça: a humanidade alcance mesmo a imortalidade.
O que aconteceria com conceitos como pena de prisão ou prisão perpétua?

Um criminoso condenado a 100 anos — num mundo onde ninguém morre — não estaria preso por tempo algum, comparado à eternidade.
A pena perderia o sentido.
E a única forma de punição “definitiva” seria a morte.

Paradoxalmente, num mundo de imortais, a pena de morte se tornaria mais tentadora — e o Estado, mais perigoso.

Em uma sociedade libertária, no entanto, a justiça não seria baseada no castigo físico, mas na reparação financeira e voluntária.
O objetivo não seria “fazer sofrer”, mas compensar o dano causado.
A morte e a prisão perpétua seriam substituídas por mecanismos contratuais, seguros e acordos — porque, quanto mais longa a vida, mais valioso se torna o tempo livre.


Riqueza infinita, desigualdade eterna

Outra questão surge: se ninguém morre, quem herdaria o quê?
O acúmulo de riqueza seria infinito — e o capitalismo estatal degeneraria em oligarquias perpétuas.
Imagine bilionários que vivem mil anos acumulando juros, terras e poder.

No sistema atual, a única força que limita isso é a mortalidade.
Ela redistribui oportunidades de forma natural, sem coerção.

A única forma de evitar uma elite imortal seria um mercado livre e descentralizado, onde a concorrência permanece viva e o mérito é o único caminho para prosperar.
Nesse cenário, moedas com oferta limitada, como o Bitcoin, seriam essenciais — evitando o colapso inflacionário que inevitavelmente viria de uma economia onde ninguém gasta e ninguém morre.


O Estado eterno — o pior pesadelo

Se o indivíduo viver para sempre, o Estado também tenderá a isso.
Burocracias, castas políticas e estruturas de poder se cristalizariam, até que a sociedade se tornasse uma pirâmide imóvel, exatamente como descrito por George Orwell em 1984.

“Em toda parte, a mesma estrutura piramidal, a mesma idolatria do líder semidivino, a mesma economia voltada para a guerra contínua.”

Orwell não previu a biotecnologia, mas entendeu a psicologia do poder absoluto:
ele não busca apenas controlar o presente — busca apagar o futuro.

E se o corpo nunca morre, o Estado que o controla também não precisaria morrer.
Essa é a distopia final: a imortalidade a serviço da opressão.


Superpopulação e eugenia — o caminho mais sombrio

Outro ponto inevitável: se ninguém morre, o planeta lota.
O que os governos fariam então?

A resposta é assustadora: controle de natalidade forçado, como já ocorreu na China com a política do filho único.
Agora, imagine isso num mundo de imortais, com inteligência artificial fiscalizando cada gestação.
Filhos ilegais seriam abortados ou escondidos — e a família natural se tornaria um crime.

No entanto, de uma perspectiva libertária, o corpo é a primeira e última propriedade de cada indivíduo.
O direito de gerar vida — ou não — pertence apenas a quem a cria, nunca ao Estado.
Por isso, qualquer tentativa de “planejar demograficamente” a sociedade é um atentado direto contra a liberdade individual.


O mercado de órgãos e o tabu moral

No meio desse debate, surge um tema ainda mais polêmico: o comércio de órgãos.
Hoje, é ilegal em quase todo o mundo — mas isso apenas empurra o mercado para a clandestinidade, onde o abuso é maior e os pobres continuam morrendo à espera de um transplante.

A solução libertária seria simples: legalizar o comércio voluntário de órgãos, com contratos transparentes e incentivos justos.
Se todos pudessem doar — e receber compensação por isso —, órgãos não faltariam.

Isso eliminaria o poder do Estado sobre a vida e a morte, e impediria que regimes autoritários usassem prisioneiros políticos como “bancos de peças” humanas, como já foi denunciado na China.


Imortalidade não é sobre ciência — é sobre poder

No fim, o que Putin, Xi e Kim demonstram não é interesse pela longevidade humana, mas pela perpetuação do poder.
Eles não querem viver para ver o futuro — querem garantir que o futuro nunca exista sem eles.

A imortalidade, para o tirano, é apenas a extensão natural do autoritarismo: primeiro controla-se a mente, depois o corpo, e por fim o tempo.

Mas o livre mercado, a concorrência e a liberdade individual dependem exatamente da finitude.
Morrer é trágico — mas é também o que mantém o mundo vivo, renovado e dinâmico.
Sem o limite da vida, não haveria inovação, coragem ou mudança.


Conclusão: o preço da eternidade

O ser humano pode até descobrir como retardar o envelhecimento, regenerar tecidos e viver mais —
mas enquanto não aprender a respeitar a liberdade do outro, continuará preso à mesma escravidão de sempre.

A verdadeira imortalidade não está em transplantes nem em DNA sintético.
Está nas ideias que sobrevivem ao corpo — e nenhuma ideia é mais duradoura que a da liberdade individual.

Enquanto Putin e Xi sonham com corpos eternos, nós sonhamos com sociedades onde ninguém precise ser deus para viver bem.
E se um dia descobrirmos como viver para sempre, que seja para aperfeiçoar a liberdade, não para eternizar a tirania.


segunda-feira, 17 de novembro de 2025

UFSC MUDA REGRAS DE USO DE BANHEIROS APÓS CASOS DE SEXO NO CAMPUS — UM SINTOMA DE UM SISTEMA SEM RESPONSABILIDADE




O escândalo que não deveria existir

O que era para ser um ambiente de estudo e formação intelectual se transformou em manchete nacional por um motivo inacreditável: sexo nos banheiros da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
Depois que funcionários encontraram preservativos usados no chão, buracos nas divisórias e sujeira generalizada, a instituição decidiu restringir o acesso aos banheiros do Departamento de Jornalismo.
Agora, apenas alunos do curso poderão usá-los — e mediante retirada de chave na secretaria.

O caso, que parece um episódio de comédia, é na verdade o retrato da decadência moral e estrutural das universidades públicas brasileiras.
E mais do que isso: é uma consequência direta de um sistema em que ninguém é dono de nada, e portanto ninguém se responsabiliza por nada.


Quando o público não é de ninguém

O chefe do Departamento, Áurio Morais, explicou que os banheiros ficam no térreo e são frequentados até por pessoas que nem estudam na UFSC.
As funcionárias terceirizadas não conseguem dar conta da limpeza, e materiais como papel higiênico e sabão somem minutos após serem repostos.

Ou seja, o problema não é apenas “higiene”, mas abandono total.
E esse abandono é sintoma de algo mais profundo: a ausência de incentivos e de propriedade real.

Quando um bem é de todos, na prática ele não é de ninguém.
E quando o dinheiro vem de impostos e não do mérito ou da satisfação do cliente, a cobrança por qualidade simplesmente desaparece.


O reflexo de um sistema falido

As universidades públicas brasileiras foram criadas com a promessa de democratizar o ensino.
Mas o que se vê hoje é o oposto: ambientes degradados, ideologizados e sem qualquer compromisso com excelência.
O foco deixou de ser o conhecimento, e passou a ser militância, burocracia e apatia.

Enquanto nas universidades privadas a reputação é uma questão de sobrevivência — e problemas assim seriam resolvidos em 24 horas —, nas públicas o máximo que se faz é criar uma nova portaria.
Foi o que a UFSC fez: burocracia como solução para o caos.


Se fosse uma instituição privada…

Imagine uma universidade privada de prestígio — digamos, Harvard, Princeton ou Columbia — enfrentando um escândalo de sexo nos banheiros.
As consequências seriam imediatas: demissões, auditoria, sanções, reformas.
A instituição teria que agir rápido, porque sua reputação e sua receita dependem da confiança dos alunos e dos pais.

No setor público, é o contrário: quanto mais problemas surgem, mais verbas são pedidas.
Não há perda de receita, não há perda de alunos — e, portanto, não há correção natural de erros.
A universidade continua sendo financiada compulsoriamente por todos nós, inclusive por quem jamais estudará ali.


O Estado e a inversão dos valores

Em um ambiente de livre mercado, a lógica é simples: quem oferece qualidade prospera; quem falha, desaparece.
Mas o sistema estatal inverte essa lógica: quem fracassa ganha mais recursos, e quem tenta inovar é sufocado pela burocracia.

Por isso, o episódio da UFSC é apenas mais um sintoma da crise moral e institucional que toma conta das universidades públicas.
Enquanto professores fazem greve por “respeito” e militam por pautas ideológicas, os banheiros — literalmente — se transformam em motéis improvisados.

E o mais irônico: o Ministério da Educação continua impondo diretrizes sobre “ambientes seguros” e “educação inclusiva”, mas ignora o básico —
que respeito e segurança começam na responsabilidade individual, não em cartilhas progressistas.


Educação sem dono, moral sem direção

O caso da UFSC não é uma exceção; é um retrato de um modelo inteiro que perdeu o rumo.
Universidades públicas se tornaram feudos ideológicos, onde alunos e professores se protegem mutuamente sob o escudo do “direito público” —
e qualquer tentativa de cobrar resultados é tratada como ataque à “autonomia universitária”.

Mas autonomia sem responsabilidade é licença para o caos.
E quando o Estado financia esse caos com dinheiro tirado à força dos contribuintes, o resultado é o que estamos vendo: sujeira física e moral.


A falsa solução da burocracia

A medida adotada pela UFSC — restringir o uso dos banheiros e exigir chave — é o típico remendo estatal: pune todo mundo porque não pode punir ninguém.
Em vez de identificar e responsabilizar os infratores, cria-se mais um controle coletivo que atinge até quem é inocente.

É o mesmo raciocínio de sempre:

  • O problema é de moralidade? Crie uma regra.

  • A regra falhou? Crie um comitê.

  • O comitê não resolveu? Peça mais verba.

E assim o ciclo da ineficiência continua, alimentado pela certeza de que ninguém perderá o emprego e o dinheiro continuará vindo do Tesouro.


Por que o livre mercado educacional seria diferente

Em um sistema de educação livre — onde universidades competem entre si por alunos e reputação — casos assim não durariam uma semana.
A instituição que permitisse tamanho descuido seria abandonada pelos estudantes, perderia receita e reputação.
Isso forçaria mudanças reais, sem depender de portarias ou do MEC.

Mais do que isso, a relação entre aluno e instituição seria baseada em contrato e mérito, não em ideologia e privilégio estatal.
Professores ineficientes seriam demitidos, gestores incompetentes substituídos, e a moral preservada não por lei, mas por incentivos econômicos e sociais reais.


O verdadeiro problema: moral e propriedade

No fundo, o episódio da UFSC não é sobre banheiros — é sobre moral, propriedade e responsabilidade.
Quando ninguém sente que aquele espaço lhe pertence, ninguém cuida dele.
E quando tudo é “público”, o que é de todos acaba tratado como lixo.

A degradação física é apenas o reflexo da degradação moral.
E enquanto o Brasil insistir em manter universidades que funcionam sem dono, sem cobrança e sem mérito, os banheiros continuarão simbolizando o que o sistema se tornou: um esgoto educacional mantido com dinheiro alheio.


Conclusão: o ensino estatal apodrece de dentro para fora

A decisão da UFSC é só mais um episódio de uma longa série de absurdos que mostram o quanto o ensino superior estatal deixou de ser um centro de saber e se tornou um espaço de desordem e doutrinação.

O problema não está apenas nas paredes sujas, mas na estrutura de incentivos completamente distorcida.
Enquanto a educação for financiada por impostos e protegida por ideologia, não haverá reforma capaz de salvá-la.

A solução real passa por aquilo que o Estado mais teme: liberdade de escolha, concorrência e responsabilidade individual.
Porque, no fim das contas, ninguém cuida melhor do que é seu — e ninguém respeita o que não lhe custa nada.


terça-feira, 20 de maio de 2025

Quando dois fazedores de L brigam, a torcida é pela briga — e pela liberdade

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Quando dois personagens que fizeram o “L” com gosto em 2022 começam a se atacar publicamente, o nosso papel como libertários é simples: torcer pela briga. Não porque tenhamos alguma simpatia por um ou outro — pelo contrário. O que queremos é que as contradições internas da esquerda venham à tona, que suas máscaras caiam e, com sorte, que sobre mais espaço para o debate honesto sobre liberdade individual, responsabilidade e economia real.

De um lado do ringue, temos Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central, gestor de bilhões e apoiador entusiasta do Lula na última eleição. Do outro, o youtuber Felipe Neto, também conhecido como o “menino foca”, figura carimbada do Twitter que adora pagar de salvador dos pobres enquanto se banha em privilégios típicos de celebridade endinheirada. A polêmica começou quando Armínio teve a ousadia de dizer o óbvio: que o salário mínimo precisa, no mínimo, parar de crescer acima da inflação, para evitar um colapso fiscal inevitável.

Armínio apenas reafirmou aquilo que os números gritam: manter aumentos reais no mínimo, num país atolado em dívidas, com rombos fiscais crescentes e uma máquina pública inchada, é brincar com fogo. Não se trata de congelar o mínimo em R$ 518 como sugerem manchetes desonestas, mas de seguir o que já se fez nos governos Temer e Bolsonaro: reajustar o valor apenas conforme a inflação. Nada de ganho real com dinheiro alheio, nada de mágica contábil.

E como a esquerda lida com verdades incômodas? Com chilique. Felipe Neto, em mais uma de suas performances teatrais, propôs um “experimento social” em que ele, Armínio e um trabalhador comum viveriam com um salário mínimo em uma cidade do interior. Quem desistisse primeiro teria que doar metade do seu patrimônio para o que resistisse mais tempo. Uma proposta tão absurda quanto desonesta — e, claro, totalmente inócua. O objetivo? Likes, manchetes e engajamento. O menino foca sabe que está blefando, e ainda assim posa de moralista.

Mas vamos analisar essa provocação seriamente, por esporte.

Primeiro: que tipo de “experimento” parte de uma premissa já errada? A maioria dos brasileiros não vive com salário mínimo. Trata-se de um valor de referência usado principalmente para benefícios governamentais. Empregos de entrada podem pagar isso, mas qualquer pessoa com um pouco de experiência e produtividade sobe rapidamente a escada salarial — a não ser, claro, que o Estado destrua o mercado de trabalho, como costuma fazer.

Segundo: o desafio pressupõe que o brasileiro está condenado a ganhar salário mínimo para sempre. Não há mobilidade, não há mérito, não há chance. Uma mentira deslavada. Mesmo em países com mercados de trabalho engessados, como o Brasil, as pessoas progridem com o tempo. O que impede isso são justamente as amarras legais, os encargos, a tributação sufocante e... pasmem, o próprio salário mínimo imposto por lei, que expulsa jovens e pessoas menos qualificadas do mercado de trabalho.

Terceiro: a hipocrisia é a alma desse circo. Felipe Neto é milionário e posa de defensor do povo. Armínio Fraga sabia exatamente quem era Lula e mesmo assim apoiou sua eleição. Os dois não erraram por ignorância — erraram por conveniência. Agora que o governo caminha para um colapso fiscal anunciado para 2027, alguns tentam se redimir com declarações sensatas, enquanto outros aproveitam para faturar capital político nas redes.

Do ponto de vista libertário, o salário mínimo é uma agressão estatal. Ele proíbe acordos voluntários entre empregadores e empregados, destruindo o livre mercado de trabalho. Pessoas que estariam dispostas a trabalhar por menos — como jovens aprendizes, trabalhadores de baixa produtividade ou recém-chegados ao mercado — simplesmente ficam de fora. A regra estatal diz: “Se você não vale o mínimo, então não pode trabalhar.” É o equivalente moderno de puxar a escada enquanto prega a inclusão.

E mais: cada aumento do salário mínimo eleva gastos públicos atrelados a ele, como aposentadorias, pensões, seguros, abonos e benefícios diversos. Isso pressiona o orçamento e obriga o governo a escolher entre duas tragédias: cortar gastos (o que quase nunca acontece) ou imprimir dinheiro. Adivinha qual caminho é escolhido? Exato. Mais inflação, menos poder de compra e mais miséria. Um ciclo vicioso em que todos perdem, mas os políticos e influencers continuam posando de heróis.

Se aumentar o salário mínimo resolvesse a pobreza, bastaria aprovar um novo valor: R$ 10 mil por mês. Por que não? Melhor ainda, que tal R$ 1 milhão? Transformaríamos o Brasil inteiro em milionários do dia para a noite! Só que o mundo real não funciona assim. Salários não se determinam por decreto, mas por produtividade. Fingir o contrário é infantil ou desonesto — ou os dois.

É fácil fazer o “L” e depois reclamar das consequências econômicas. Difícil é admitir o erro, defender a liberdade contratual, e deixar o trabalhador e o empresário em paz. Mas sabemos o que realmente motiva Felipe Neto: engajamento. E sabemos também que Armínio Fraga, por mais sensato que tenha sido agora, fez parte da engrenagem que colocou o Brasil nesse buraco.

Por isso, não temos lado nessa briga. Apenas torcida. Torcida para que ambos se exponham, se contradigam, se anulem. E quem sabe, no meio dessa confusão, mais brasileiros acordem para a realidade da economia, da liberdade e da responsabilidade individual.

Armínio, aceite o desafio. Felipe, banque o reality. E nós? Torcemos para a briga — e para a liberdade.



Parece que o jogo virou: o Brasil está "recolonizando" Portugal – e com direito a Pix, sotaque e memes


Quando os portugueses cruzaram o Atlântico no século XVI, jamais poderiam imaginar que, séculos depois, os ventos da história soprariam na direção contrária – e que seriam eles os alvos de uma nova forma de colonização. Só que dessa vez, não são caravelas carregadas de missionários, pólvora e doenças que estão desembarcando no Velho Mundo. É o Brasil que está invadindo Portugal. Só que agora, com memes, gírias, YouTubers e, pasmem, até Pix.

Sim, meu caro lusitano: o seu filho pode estar falando com sotaque de paulista, cantando funk carioca e pedindo um “dogão com purê” no lanche da escola. Estamos diante de um fenômeno que poderíamos chamar de “período brasileirístico”, em referência ao helenismo causado pelas conquistas de Alexandre, o Grande (não confundir com o Alexandre, o Pequeno, mais conhecido como Xandão do STF).

Se antes os gregos exportavam cultura, filosofia e a própria língua para os povos conquistados, hoje são os brasileiros que espalham seu dialeto, humor e modos por todo o mundo lusófono – e com uma eficiência muito maior que as campanhas militares da antiguidade. Tudo isso graças à internet, ao YouTube e às redes sociais que fizeram do conteúdo brasileiro um verdadeiro tsunami cultural sobre Portugal, Angola, Moçambique e onde mais houver um ouvido lusófono atento.

Mas a coisa vai além de memes e vídeos engraçados. A emigração brasileira para Portugal cresceu exponencialmente nos últimos anos, impulsionada pela decadência econômica e institucional do Brasil. Com mais de 600 mil brasileiros residindo oficialmente em terras portuguesas, e mais de 1 milhão de turistas por ano, Portugal está sentindo na pele – e no bolso – o que é uma invasão cultural completa. E o resultado mais simbólico disso talvez seja o fato de que até o Pix, sistema de pagamentos instantâneos do Banco Central brasileiro, já está sendo aceito em vários estabelecimentos por lá.

Sim, Portugal aceitando Pix. Não há metáfora histórica melhor para ilustrar a inversão de papéis entre colonizadores e colonizados.

O Império do Pix e o risco da gula estatal

O Pix é uma maravilha. Democratizou transações, acelerou negócios, tirou da informalidade uma parcela significativa da economia. Mas como toda ferramenta estatal, carrega em si o risco de virar uma arma contra o próprio povo. Se hoje a taxa sobre transações internacionais via Pix é “só” 0,38% de IOF, alguém realmente acredita que o governo vai resistir à tentação de meter a mão nesse bolo? Em 2024, o Pix movimentou R$ 26 trilhões. Faça as contas: só com 0,38%, o Leviatã já abocanha quase R$ 100 bilhões.

É claro que Haddad e Lula estão de olho nesse dinheiro. E se até Portugal está entrando no “Império do Pix”, imagine o tamanho da cobiça estatal. Afinal, para financiar viagens da Janja, bailes em Paris, subsídios a ditaduras amigas e jantares ministeriais com caviar, não há Pix que escape ileso por muito tempo.

E o Bitcoin nisso tudo?

Enquanto o Pix representa uma solução estatal eficiente, o Bitcoin é a resistência libertária. Sua taxa de transação não é fruto de decreto ou "canetada". É definida pelo mercado, pela demanda e pela rede descentralizada que o sustenta. Você paga para usar, sim – mas não para alimentar um parasita engravatado que vive do seu suor. E mais: o Bitcoin não conhece fronteiras, não depende da Receita, não exige CPF, e pode ser levado para qualquer lugar com apenas 12 palavrinhas na sua cabeça.

Na prática, isso significa liberdade real. Com Bitcoin, você não depende do Banco Central, do Haddad, da União Europeia ou do FMI. Você é o seu próprio banco. E se o seu país virar uma Venezuela da vida, você não precisa fugir com mala cheia de dinheiro – basta lembrar sua chave privada e reconstruir sua vida em qualquer lugar do mundo.

O que está vindo: bitcoinização e desestatização cultural

Se a "brasileirização" de Portugal é divertida, simbólica e até reconfortante, a bitcoinização do mundo é inevitável. Em breve, mais pessoas perceberão que não precisam mais financiar o comunismo com seus impostos. Que não precisam mais se submeter a censores, ditadores, bancos centrais ou moedas manipuladas. Que há uma forma de armazenar valor que não pode ser inflacionada por um político populista com caneta na mão.

A cultura brasileira pode estar enchendo os ouvidos de crianças portuguesas. Mas o Bitcoin está enchendo os olhos de adultos conscientes ao redor do mundo. Uma nova era está começando. E, com todo respeito aos gregos e aos portugueses, essa revolução é global, irreversível e muito mais poderosa do que qualquer império já sonhou em ser.


Quer apoiar essa revolução? Clique no link da Coinex e descubra como você pode sair do controle estatal e tomar as rédeas da sua própria vida financeira. Porque liberdade não se pede: se conquista. E às vezes, tudo começa com um clique... ou com 12 palavrinhas bem guardadas.

segunda-feira, 19 de maio de 2025

OPINIÃO | O último herói da terra contra o Leviatã: Milei, sindicatos e a batalha de ideias na Argentina



Na terra que os estatistas insistem em chamar de Argentina, um espetáculo político de proporções épicas está em curso. De um lado, o presidente Javier Milei — ou Ravi Armley, como gosto de chamá-lo nesta tragicomédia liberal — blande sua motosserra simbólica como se fosse uma espada de luz contra o velho dragão estatal. Do outro, a velha guarda sindical, encabeçada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT), ruge como uma fera ferida, tentando proteger os escombros do intervencionismo que tanto alimentou sua existência.

Com um discurso inflamado, Milei promete o que poucos ousaram: decretar o fim da inflação até 2026. Para um país acostumado à hiperinflação como quem se acostuma a terremotos, essa promessa beira a ousadia mítica. Mas será ela uma utopia libertária em gestação ou apenas mais um capítulo de ilusão peronista reembalada com verniz liberal?

A motosserra da esperança (ou do desespero)

Vamos aos fatos sob a ótica que interessa: a da liberdade. Milei acerta em cheio ao identificar a inflação como o maior inimigo do povo. Para qualquer libertário que se preze, a inflação nada mais é que um roubo estatal disfarçado de política econômica. Ao imprimir dinheiro para sustentar sua máquina inchada, o governo rouba, sorrateiramente, o poder de compra de todos — especialmente dos mais pobres, que não têm como se proteger da diluição monetária.

Eliminar o controle cambial (o famigerado CPO) e reduzir gastos públicos em 4,7% do PIB são passos concretos. Milei afirma que o estado encolheu 30%. Se isso for real — e sustentável — temos algo histórico em curso. Mas a pergunta libertária permanece: a motosserra está cortando gordura ou apenas redistribuindo o espólio entre novos e velhos parasitas?

O problema não é o sindicalismo, é o sindicalismo estatal

A resistência dos sindicatos é previsível. No protesto da CGT na véspera do Dia do Trabalhador — feriado que serve mais para defender privilégios do que celebrar conquistas genuínas — vimos padres e líderes sindicais clamando contra a austeridade e a “insensibilidade” do governo. Mas não nos enganemos: muitos dos direitos que esses sindicatos gritam para proteger são, na verdade, privilégios financiados compulsoriamente por quem nem sequer participa dessas entidades.

Sob a lente libertária, sindicatos são legítimos... desde que voluntários. O problema é quando se tornam braços políticos com poder de coerção estatal. Exigem aumentos acima da produtividade, impõem greves que paralisam serviços essenciais, e mantêm leis que protegem empregos de uns às custas do desemprego de outros. Reclamam da queda da renda, mas ignoram que ela é fruto direto de décadas de populismo inflacionário que eles próprios ajudaram a construir.

FMI: amigo ou armadilha?

O acordo de US$ 20 bilhões com o FMI é outro ponto de atenção. Embora possa impor disciplina fiscal temporária, o Fundo é conhecido por perpetuar a lógica do endividamento estatal. Para os libertários, solução não está em mais empréstimos, mas no corte profundo do Leviatã: privatizações, desregulação, eliminação de ministérios e subsídios.

Entre discursos e realidades

Durante os protestos, um padre afirmou que “onde o Estado não chega, os narcos tomam conta.” É uma meia verdade. Em muitos casos, é justamente o excesso do Estado, aliado à sua incompetência e corrupção, que cria o ambiente perfeito para o crime florescer. Proibir drogas, sufocar pequenos empreendedores, tributar a produção e regular até o preço do pão: é essa a receita do fracasso que vemos há décadas. A ausência do Estado não é o problema — é o excesso dele.

Milei: o político que odeia políticos

O tom provocador de Milei, que zomba dos que “choram pelos pobres”, pode soar insensível. Mas é um tapa na cara da retórica estatista que, há décadas, explora a miséria como desculpa para mais impostos, mais intervenção, mais fracasso. A verdadeira compaixão está em permitir que cada indivíduo tenha liberdade para prosperar por seus próprios méritos.

Ainda assim, libertários não depositam fé cega em políticos. Milei é um deles. Por mais que seus discursos sejam inspiradores, suas ações devem ser acompanhadas com lupa. O risco de que a motosserra sirva apenas para trocar um grupo de parasitas públicos por outro é real. O Leviatã não morre fácil. Ele muda de cara, de partido e de slogans.

Conclusão: mais do que economia, uma batalha de ideias

A Argentina vive, hoje, uma batalha de narrativas. A velha guarda sindical, os peronistas e estatistas de todas as cores defendem o passado que os sustenta. Milei, com sua retórica libertária, representa uma ruptura rara. Mas só a coerência entre discurso e prática pode transformar essa ruptura em revolução.

A promessa de inflação zero até 2026 pode ser um marco histórico, se baseada em liberdade monetária, responsabilidade fiscal e redução real do Estado. Se for apenas discurso, será mais uma decepção em uma longa lista.

O futuro da Argentina — ou daquele território que os estatistas chamam de país — depende menos de Milei e mais de uma mudança cultural profunda. Sem isso, nenhum herói libertário com motosserra poderá salvar uma sociedade que ainda anseia pelas muletas do Estado.

E como sempre, os libertários continuarão observando. Atentos. E prontos para lembrar: liberdade não se implora — se conquista.


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