O escândalo que não deveria existir
O que era para ser um ambiente de estudo e formação intelectual se transformou em manchete nacional por um motivo inacreditável: sexo nos banheiros da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
Depois que funcionários encontraram preservativos usados no chão, buracos nas divisórias e sujeira generalizada, a instituição decidiu restringir o acesso aos banheiros do Departamento de Jornalismo.
Agora, apenas alunos do curso poderão usá-los — e mediante retirada de chave na secretaria.
O caso, que parece um episódio de comédia, é na verdade o retrato da decadência moral e estrutural das universidades públicas brasileiras.
E mais do que isso: é uma consequência direta de um sistema em que ninguém é dono de nada, e portanto ninguém se responsabiliza por nada.
Quando o público não é de ninguém
O chefe do Departamento, Áurio Morais, explicou que os banheiros ficam no térreo e são frequentados até por pessoas que nem estudam na UFSC.
As funcionárias terceirizadas não conseguem dar conta da limpeza, e materiais como papel higiênico e sabão somem minutos após serem repostos.
Ou seja, o problema não é apenas “higiene”, mas abandono total.
E esse abandono é sintoma de algo mais profundo: a ausência de incentivos e de propriedade real.
Quando um bem é de todos, na prática ele não é de ninguém.
E quando o dinheiro vem de impostos e não do mérito ou da satisfação do cliente, a cobrança por qualidade simplesmente desaparece.
O reflexo de um sistema falido
As universidades públicas brasileiras foram criadas com a promessa de democratizar o ensino.
Mas o que se vê hoje é o oposto: ambientes degradados, ideologizados e sem qualquer compromisso com excelência.
O foco deixou de ser o conhecimento, e passou a ser militância, burocracia e apatia.
Enquanto nas universidades privadas a reputação é uma questão de sobrevivência — e problemas assim seriam resolvidos em 24 horas —, nas públicas o máximo que se faz é criar uma nova portaria.
Foi o que a UFSC fez: burocracia como solução para o caos.
Se fosse uma instituição privada…
Imagine uma universidade privada de prestígio — digamos, Harvard, Princeton ou Columbia — enfrentando um escândalo de sexo nos banheiros.
As consequências seriam imediatas: demissões, auditoria, sanções, reformas.
A instituição teria que agir rápido, porque sua reputação e sua receita dependem da confiança dos alunos e dos pais.
No setor público, é o contrário: quanto mais problemas surgem, mais verbas são pedidas.
Não há perda de receita, não há perda de alunos — e, portanto, não há correção natural de erros.
A universidade continua sendo financiada compulsoriamente por todos nós, inclusive por quem jamais estudará ali.
O Estado e a inversão dos valores
Em um ambiente de livre mercado, a lógica é simples: quem oferece qualidade prospera; quem falha, desaparece.
Mas o sistema estatal inverte essa lógica: quem fracassa ganha mais recursos, e quem tenta inovar é sufocado pela burocracia.
Por isso, o episódio da UFSC é apenas mais um sintoma da crise moral e institucional que toma conta das universidades públicas.
Enquanto professores fazem greve por “respeito” e militam por pautas ideológicas, os banheiros — literalmente — se transformam em motéis improvisados.
E o mais irônico: o Ministério da Educação continua impondo diretrizes sobre “ambientes seguros” e “educação inclusiva”, mas ignora o básico —
que respeito e segurança começam na responsabilidade individual, não em cartilhas progressistas.
Educação sem dono, moral sem direção
O caso da UFSC não é uma exceção; é um retrato de um modelo inteiro que perdeu o rumo.
Universidades públicas se tornaram feudos ideológicos, onde alunos e professores se protegem mutuamente sob o escudo do “direito público” —
e qualquer tentativa de cobrar resultados é tratada como ataque à “autonomia universitária”.
Mas autonomia sem responsabilidade é licença para o caos.
E quando o Estado financia esse caos com dinheiro tirado à força dos contribuintes, o resultado é o que estamos vendo: sujeira física e moral.
A falsa solução da burocracia
A medida adotada pela UFSC — restringir o uso dos banheiros e exigir chave — é o típico remendo estatal: pune todo mundo porque não pode punir ninguém.
Em vez de identificar e responsabilizar os infratores, cria-se mais um controle coletivo que atinge até quem é inocente.
É o mesmo raciocínio de sempre:
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O problema é de moralidade? Crie uma regra.
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A regra falhou? Crie um comitê.
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O comitê não resolveu? Peça mais verba.
E assim o ciclo da ineficiência continua, alimentado pela certeza de que ninguém perderá o emprego e o dinheiro continuará vindo do Tesouro.
Por que o livre mercado educacional seria diferente
Em um sistema de educação livre — onde universidades competem entre si por alunos e reputação — casos assim não durariam uma semana.
A instituição que permitisse tamanho descuido seria abandonada pelos estudantes, perderia receita e reputação.
Isso forçaria mudanças reais, sem depender de portarias ou do MEC.
Mais do que isso, a relação entre aluno e instituição seria baseada em contrato e mérito, não em ideologia e privilégio estatal.
Professores ineficientes seriam demitidos, gestores incompetentes substituídos, e a moral preservada não por lei, mas por incentivos econômicos e sociais reais.
O verdadeiro problema: moral e propriedade
No fundo, o episódio da UFSC não é sobre banheiros — é sobre moral, propriedade e responsabilidade.
Quando ninguém sente que aquele espaço lhe pertence, ninguém cuida dele.
E quando tudo é “público”, o que é de todos acaba tratado como lixo.
A degradação física é apenas o reflexo da degradação moral.
E enquanto o Brasil insistir em manter universidades que funcionam sem dono, sem cobrança e sem mérito, os banheiros continuarão simbolizando o que o sistema se tornou: um esgoto educacional mantido com dinheiro alheio.
Conclusão: o ensino estatal apodrece de dentro para fora
A decisão da UFSC é só mais um episódio de uma longa série de absurdos que mostram o quanto o ensino superior estatal deixou de ser um centro de saber e se tornou um espaço de desordem e doutrinação.
O problema não está apenas nas paredes sujas, mas na estrutura de incentivos completamente distorcida.
Enquanto a educação for financiada por impostos e protegida por ideologia, não haverá reforma capaz de salvá-la.
A solução real passa por aquilo que o Estado mais teme: liberdade de escolha, concorrência e responsabilidade individual.
Porque, no fim das contas, ninguém cuida melhor do que é seu — e ninguém respeita o que não lhe custa nada.
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