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Quando dois personagens que fizeram o “L” com gosto em 2022 começam a se atacar publicamente, o nosso papel como libertários é simples: torcer pela briga. Não porque tenhamos alguma simpatia por um ou outro — pelo contrário. O que queremos é que as contradições internas da esquerda venham à tona, que suas máscaras caiam e, com sorte, que sobre mais espaço para o debate honesto sobre liberdade individual, responsabilidade e economia real.
De um lado do ringue, temos Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central, gestor de bilhões e apoiador entusiasta do Lula na última eleição. Do outro, o youtuber Felipe Neto, também conhecido como o “menino foca”, figura carimbada do Twitter que adora pagar de salvador dos pobres enquanto se banha em privilégios típicos de celebridade endinheirada. A polêmica começou quando Armínio teve a ousadia de dizer o óbvio: que o salário mínimo precisa, no mínimo, parar de crescer acima da inflação, para evitar um colapso fiscal inevitável.
Armínio apenas reafirmou aquilo que os números gritam: manter aumentos reais no mínimo, num país atolado em dívidas, com rombos fiscais crescentes e uma máquina pública inchada, é brincar com fogo. Não se trata de congelar o mínimo em R$ 518 como sugerem manchetes desonestas, mas de seguir o que já se fez nos governos Temer e Bolsonaro: reajustar o valor apenas conforme a inflação. Nada de ganho real com dinheiro alheio, nada de mágica contábil.
E como a esquerda lida com verdades incômodas? Com chilique. Felipe Neto, em mais uma de suas performances teatrais, propôs um “experimento social” em que ele, Armínio e um trabalhador comum viveriam com um salário mínimo em uma cidade do interior. Quem desistisse primeiro teria que doar metade do seu patrimônio para o que resistisse mais tempo. Uma proposta tão absurda quanto desonesta — e, claro, totalmente inócua. O objetivo? Likes, manchetes e engajamento. O menino foca sabe que está blefando, e ainda assim posa de moralista.
Mas vamos analisar essa provocação seriamente, por esporte.
Primeiro: que tipo de “experimento” parte de uma premissa já errada? A maioria dos brasileiros não vive com salário mínimo. Trata-se de um valor de referência usado principalmente para benefícios governamentais. Empregos de entrada podem pagar isso, mas qualquer pessoa com um pouco de experiência e produtividade sobe rapidamente a escada salarial — a não ser, claro, que o Estado destrua o mercado de trabalho, como costuma fazer.
Segundo: o desafio pressupõe que o brasileiro está condenado a ganhar salário mínimo para sempre. Não há mobilidade, não há mérito, não há chance. Uma mentira deslavada. Mesmo em países com mercados de trabalho engessados, como o Brasil, as pessoas progridem com o tempo. O que impede isso são justamente as amarras legais, os encargos, a tributação sufocante e... pasmem, o próprio salário mínimo imposto por lei, que expulsa jovens e pessoas menos qualificadas do mercado de trabalho.
Terceiro: a hipocrisia é a alma desse circo. Felipe Neto é milionário e posa de defensor do povo. Armínio Fraga sabia exatamente quem era Lula e mesmo assim apoiou sua eleição. Os dois não erraram por ignorância — erraram por conveniência. Agora que o governo caminha para um colapso fiscal anunciado para 2027, alguns tentam se redimir com declarações sensatas, enquanto outros aproveitam para faturar capital político nas redes.
Do ponto de vista libertário, o salário mínimo é uma agressão estatal. Ele proíbe acordos voluntários entre empregadores e empregados, destruindo o livre mercado de trabalho. Pessoas que estariam dispostas a trabalhar por menos — como jovens aprendizes, trabalhadores de baixa produtividade ou recém-chegados ao mercado — simplesmente ficam de fora. A regra estatal diz: “Se você não vale o mínimo, então não pode trabalhar.” É o equivalente moderno de puxar a escada enquanto prega a inclusão.
E mais: cada aumento do salário mínimo eleva gastos públicos atrelados a ele, como aposentadorias, pensões, seguros, abonos e benefícios diversos. Isso pressiona o orçamento e obriga o governo a escolher entre duas tragédias: cortar gastos (o que quase nunca acontece) ou imprimir dinheiro. Adivinha qual caminho é escolhido? Exato. Mais inflação, menos poder de compra e mais miséria. Um ciclo vicioso em que todos perdem, mas os políticos e influencers continuam posando de heróis.
Se aumentar o salário mínimo resolvesse a pobreza, bastaria aprovar um novo valor: R$ 10 mil por mês. Por que não? Melhor ainda, que tal R$ 1 milhão? Transformaríamos o Brasil inteiro em milionários do dia para a noite! Só que o mundo real não funciona assim. Salários não se determinam por decreto, mas por produtividade. Fingir o contrário é infantil ou desonesto — ou os dois.
É fácil fazer o “L” e depois reclamar das consequências econômicas. Difícil é admitir o erro, defender a liberdade contratual, e deixar o trabalhador e o empresário em paz. Mas sabemos o que realmente motiva Felipe Neto: engajamento. E sabemos também que Armínio Fraga, por mais sensato que tenha sido agora, fez parte da engrenagem que colocou o Brasil nesse buraco.
Por isso, não temos lado nessa briga. Apenas torcida. Torcida para que ambos se exponham, se contradigam, se anulem. E quem sabe, no meio dessa confusão, mais brasileiros acordem para a realidade da economia, da liberdade e da responsabilidade individual.
Armínio, aceite o desafio. Felipe, banque o reality. E nós? Torcemos para a briga — e para a liberdade.
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