segunda-feira, 19 de maio de 2025

OPINIÃO | O último herói da terra contra o Leviatã: Milei, sindicatos e a batalha de ideias na Argentina



Na terra que os estatistas insistem em chamar de Argentina, um espetáculo político de proporções épicas está em curso. De um lado, o presidente Javier Milei — ou Ravi Armley, como gosto de chamá-lo nesta tragicomédia liberal — blande sua motosserra simbólica como se fosse uma espada de luz contra o velho dragão estatal. Do outro, a velha guarda sindical, encabeçada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT), ruge como uma fera ferida, tentando proteger os escombros do intervencionismo que tanto alimentou sua existência.

Com um discurso inflamado, Milei promete o que poucos ousaram: decretar o fim da inflação até 2026. Para um país acostumado à hiperinflação como quem se acostuma a terremotos, essa promessa beira a ousadia mítica. Mas será ela uma utopia libertária em gestação ou apenas mais um capítulo de ilusão peronista reembalada com verniz liberal?

A motosserra da esperança (ou do desespero)

Vamos aos fatos sob a ótica que interessa: a da liberdade. Milei acerta em cheio ao identificar a inflação como o maior inimigo do povo. Para qualquer libertário que se preze, a inflação nada mais é que um roubo estatal disfarçado de política econômica. Ao imprimir dinheiro para sustentar sua máquina inchada, o governo rouba, sorrateiramente, o poder de compra de todos — especialmente dos mais pobres, que não têm como se proteger da diluição monetária.

Eliminar o controle cambial (o famigerado CPO) e reduzir gastos públicos em 4,7% do PIB são passos concretos. Milei afirma que o estado encolheu 30%. Se isso for real — e sustentável — temos algo histórico em curso. Mas a pergunta libertária permanece: a motosserra está cortando gordura ou apenas redistribuindo o espólio entre novos e velhos parasitas?

O problema não é o sindicalismo, é o sindicalismo estatal

A resistência dos sindicatos é previsível. No protesto da CGT na véspera do Dia do Trabalhador — feriado que serve mais para defender privilégios do que celebrar conquistas genuínas — vimos padres e líderes sindicais clamando contra a austeridade e a “insensibilidade” do governo. Mas não nos enganemos: muitos dos direitos que esses sindicatos gritam para proteger são, na verdade, privilégios financiados compulsoriamente por quem nem sequer participa dessas entidades.

Sob a lente libertária, sindicatos são legítimos... desde que voluntários. O problema é quando se tornam braços políticos com poder de coerção estatal. Exigem aumentos acima da produtividade, impõem greves que paralisam serviços essenciais, e mantêm leis que protegem empregos de uns às custas do desemprego de outros. Reclamam da queda da renda, mas ignoram que ela é fruto direto de décadas de populismo inflacionário que eles próprios ajudaram a construir.

FMI: amigo ou armadilha?

O acordo de US$ 20 bilhões com o FMI é outro ponto de atenção. Embora possa impor disciplina fiscal temporária, o Fundo é conhecido por perpetuar a lógica do endividamento estatal. Para os libertários, solução não está em mais empréstimos, mas no corte profundo do Leviatã: privatizações, desregulação, eliminação de ministérios e subsídios.

Entre discursos e realidades

Durante os protestos, um padre afirmou que “onde o Estado não chega, os narcos tomam conta.” É uma meia verdade. Em muitos casos, é justamente o excesso do Estado, aliado à sua incompetência e corrupção, que cria o ambiente perfeito para o crime florescer. Proibir drogas, sufocar pequenos empreendedores, tributar a produção e regular até o preço do pão: é essa a receita do fracasso que vemos há décadas. A ausência do Estado não é o problema — é o excesso dele.

Milei: o político que odeia políticos

O tom provocador de Milei, que zomba dos que “choram pelos pobres”, pode soar insensível. Mas é um tapa na cara da retórica estatista que, há décadas, explora a miséria como desculpa para mais impostos, mais intervenção, mais fracasso. A verdadeira compaixão está em permitir que cada indivíduo tenha liberdade para prosperar por seus próprios méritos.

Ainda assim, libertários não depositam fé cega em políticos. Milei é um deles. Por mais que seus discursos sejam inspiradores, suas ações devem ser acompanhadas com lupa. O risco de que a motosserra sirva apenas para trocar um grupo de parasitas públicos por outro é real. O Leviatã não morre fácil. Ele muda de cara, de partido e de slogans.

Conclusão: mais do que economia, uma batalha de ideias

A Argentina vive, hoje, uma batalha de narrativas. A velha guarda sindical, os peronistas e estatistas de todas as cores defendem o passado que os sustenta. Milei, com sua retórica libertária, representa uma ruptura rara. Mas só a coerência entre discurso e prática pode transformar essa ruptura em revolução.

A promessa de inflação zero até 2026 pode ser um marco histórico, se baseada em liberdade monetária, responsabilidade fiscal e redução real do Estado. Se for apenas discurso, será mais uma decepção em uma longa lista.

O futuro da Argentina — ou daquele território que os estatistas chamam de país — depende menos de Milei e mais de uma mudança cultural profunda. Sem isso, nenhum herói libertário com motosserra poderá salvar uma sociedade que ainda anseia pelas muletas do Estado.

E como sempre, os libertários continuarão observando. Atentos. E prontos para lembrar: liberdade não se implora — se conquista.


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