A democracia é frequentemente pintada como o ápice da liberdade e da representação popular. A ideia de que o povo escolhe seus governantes e, assim, define o rumo de seu país é amplamente propagada, mas até que ponto isso é verdade? Se você acredita que apertar os botões em uma urna define o futuro da nação, pode ser hora de repensar essa narrativa. Como apontado por Adriano Gianturco, e amplamente discutido entre libertários, a democracia pode ser mais uma ilusão do que uma realidade.
A Elite Aristocrática no Comando
Ao contrário da visão idealizada de que a vontade popular prevalece, Gianturco argumenta que o poder sempre esteve, e sempre estará, nas mãos de uma minoria. Gaetano Mosca, cientista político italiano, foi claro ao afirmar que todas as sociedades são organizadas de forma hierárquica. A política, segundo ele, é um fenômeno “top-down”, de cima para baixo, e não o contrário. Quem manda, de fato, é uma elite política – e não o povo.
No Brasil, muitos confundem "elite" com grandes empresários e milionários. Embora exista uma elite econômica, o verdadeiro poder reside na elite política, aquela que usa o poder estatal para moldar a sociedade conforme seus próprios interesses. São esses grupos que controlam os rumos do país, não importa quantas eleições sejam realizadas. A elite política usa os partidos, a mídia e as instituições para garantir que, independentemente do resultado eleitoral, seu poder permaneça intacto.
O Teatro da Democracia
O processo eleitoral no Brasil é um espetáculo cuidadosamente coreografado. Ao apertar os botões na urna eletrônica, o cidadão comum sente-se empoderado, acreditando que sua escolha fará a diferença. No entanto, a verdadeira decisão sobre quem governará já foi feita nos bastidores, por aqueles que realmente detêm o poder. As elites políticas controlam o processo não apenas por meio da manipulação de candidatos, mas também moldando a opinião pública através dos meios de comunicação e do sistema partidário.
E é aí que a ilusão democrática se torna mais evidente. Embora tenhamos uma aparência de escolha, os candidatos disponíveis quase sempre pertencem ao mesmo grupo de elite. Assim, a cada eleição, a sensação de mudança é meramente superficial, já que, na essência, o poder continua nas mãos das mesmas pessoas.
A Revolta Contra Bolsonaro e Trump
Os exemplos de Jair Bolsonaro no Brasil e Donald Trump nos Estados Unidos são emblemáticos. Ambos representaram, em certo grau, um "ponto fora da curva" para essas elites políticas. Eles não seguiram o roteiro previsto, e isso gerou um enorme desconforto entre aqueles que sempre controlaram o sistema. No entanto, mesmo com toda a oposição, o sistema encontrou maneiras de minimizar seus impactos e restaurar o status quo.
A verdadeira razão pela qual figuras como Bolsonaro e Trump enfrentaram tanta resistência não está necessariamente em suas políticas, mas no fato de que desafiaram os interesses estabelecidos das elites políticas. Eles foram uma ameaça à ordem tradicional de controle, um risco ao planejamento que essas elites traçam para o futuro das nações.
Controle pela Informação
Se engana quem pensa que o controle se dá apenas pela força. A violência, embora utilizada em momentos específicos, é cara e ineficiente para manter uma população inteira sob controle. O verdadeiro poder está na manipulação da informação. Historicamente, a elite política controlou o povo usando narrativas, religiões e, mais recentemente, os meios de comunicação de massa.
Nos tempos antigos, por exemplo, os faraós eram considerados semideuses, e suas ordens eram obedecidas sob o medo de que os deuses punissem aqueles que desrespeitassem seu líder. Hoje, a manipulação é mais sutil, mas não menos eficaz. A elite política moderna encontrou na mídia de massa – como jornais, televisão e, mais recentemente, as grandes plataformas de internet – uma ferramenta poderosa para moldar a percepção pública.
A Internet: Uma Nova Revolução
Entretanto, estamos em um momento de transição. A internet quebrou o monopólio das grandes mídias e abriu espaço para uma pluralidade de vozes e ideias. Este é o novo campo de batalha. As elites políticas, que antes controlavam a narrativa de forma centralizada, agora veem esse controle escapar por entre os dedos. É por isso que tentam, a todo custo, regulamentar e censurar a internet.
O otimismo aqui reside na ideia de que, diferentemente de momentos anteriores na história, em que as elites rapidamente encontravam novas formas de controle, a revolução digital oferece uma mudança tão profunda que pode ser mais difícil – e talvez impossível – de ser revertida por completo. Embora haja tentativas constantes de controlar a internet por meio de legislações, como o PL das Fake News no Brasil, o alcance e a descentralização da informação online tornam essa tarefa muito mais desafiadora.
Conclusão
A democracia, como a conhecemos, é uma ilusão. O poder está nas mãos de poucos, e as eleições são, muitas vezes, apenas uma formalidade para legitimar o que já foi decidido. No entanto, o avanço da tecnologia e da internet pode estar criando uma nova dinâmica, onde a informação flui de maneira mais livre, desafiando o controle das elites políticas.
Estamos vivendo um momento histórico, onde o controle pela força e pela manipulação da informação está sendo questionado como nunca antes. Isso não significa que a elite deixará de existir, mas sim que suas ferramentas de controle estão se tornando obsoletas. E nesse cenário, há motivos para otimismo, pois a liberdade, mesmo que lenta, está se expandindo.
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