Nos últimos anos, a ideia de "polywork" ganhou destaque como uma tendência entre jovens profissionais, especialmente da geração Z. O termo é usado para descrever o ato de trabalhar em mais de um emprego simultaneamente, seja por necessidade financeira, busca de realização pessoal ou desenvolvimento de novas habilidades. Embora apresentado como algo inovador, a prática de ter múltiplas fontes de renda não é, de fato, nenhuma novidade, especialmente no Brasil.
O Que é "Polywork"?
O conceito surgiu com a promessa de redefinir o futuro do trabalho. A ideia é simples: em vez de depender exclusivamente de uma única fonte de renda, profissionais optam por diversificar suas atividades, assumindo vários empregos ou projetos paralelos. Isso se tornou mais viável com o avanço do trabalho remoto e plataformas digitais, que facilitam a busca e gestão de múltiplas tarefas.
No entanto, a prática não é exclusividade da geração Z. Dados apontam que cerca de 60% dos trabalhadores brasileiros já possuem mais de um emprego ou fonte de renda, segundo uma pesquisa da Hostinger. Para muitos, é apenas uma questão de sobrevivência.
Velho Conhecido, Nome Novo
Embora o termo "polywork" seja um modismo recente, a realidade de ter mais de um trabalho é uma prática histórica. Desde vendedores autônomos a profissionais de tecnologia, muitos equilibram empregos fixos e freelances há décadas. Plataformas como Fiverr, Upwork e Workana só tornaram isso mais acessível, permitindo que habilidades diversas sejam monetizadas de maneira mais fácil.
Mesmo com os benefícios apontados – como aumento de renda, ampliação de redes de contato e aprendizado de novas habilidades – a prática também tem seus desafios. Entre eles estão o risco de burnout, a dificuldade de equilibrar vida pessoal e profissional e a redução da dedicação a cada emprego individualmente.
A PEC 4 por 3 e o Impacto no Trabalho
O debate sobre a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) que visa implementar a jornada de trabalho 4 por 3 (quatro dias de trabalho e três de folga) reforça a discussão sobre o polywork. Apesar de prometer mais qualidade de vida, o risco é que, na prática, trabalhadores com jornada reduzida acabem sendo pressionados a assumir múltiplos empregos para compensar eventuais perdas salariais.
Embora a PEC proíba, inicialmente, a redução salarial proporcional à carga horária, especialistas apontam que, no longo prazo, o mercado pode ajustar os salários para baixo. Isso poderia forçar muitos a adotar o modelo de trabalho múltiplo, transformando o "polywork" de tendência opcional para necessidade inevitável.
Home Office e Trabalho Duplo
Com o avanço do home office, alguns profissionais já arriscam assumir dois ou mais empregos em horários semelhantes. Apesar de parecer vantajoso no início, essa prática muitas vezes prejudica a produtividade e a reputação dos trabalhadores. A ideia de "fingir que trabalha" para diversos empregadores pode levar à desvalorização do trabalho remoto, perpetuando estereótipos negativos sobre essa modalidade.
Reflexão Final
Embora a geração Z tenha ressignificado o termo "polywork", a prática em si não é novidade. A diferença está na forma como ela é adotada e nas ferramentas disponíveis hoje. Ainda assim, é importante ponderar os limites e impactos dessa abordagem, principalmente em contextos onde a economia e as políticas de trabalho podem forçar mudanças que, à primeira vista, parecem benéficas, mas podem acabar precarizando ainda mais as relações de trabalho.
No fim, trabalhar em múltiplos empregos é, muitas vezes, mais uma questão de necessidade do que uma escolha ou tendência. E o desafio continua sendo encontrar equilíbrio e valor em cada uma das atividades desempenhadas.
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