sábado, 28 de dezembro de 2024

Tarifas numa mão e eficiência governamental na outra: qual dessas forças determinará o futuro da sociedade americana?


Donald John Trump venceu novamente as eleições americanas e, em janeiro de 2025, assumirá o controle da Casa Branca como 47º presidente dos Estados Unidos. Em sua campanha, Trump destacou duas grandes promessas com forte impacto econômico: aumentar a eficiência do governo, com cortes de impostos e criação do novo "Department of Government Efficiency", e elevar as tarifas de importação, alegando que isso protegeria a indústria e os empregos americanos. No entanto, essas medidas, quando analisadas sob uma ótica libertária, se mostram contraditórias e, até certo ponto, problemáticas.

O dilema entre liberdade econômica e políticas protecionistas

Por um lado, a proposta de reduzir impostos e cortes de gastos segue os princípios libertários e do livre mercado, defendendo a diminuição da burocracia estatal e a redução do peso do governo na vida das pessoas. Por outro lado, o aumento das tarifas é uma medida protecionista, historicamente arraigada nas práticas econômicas dos Estados Unidos. Este dilema reflete uma contradição essencial: como pode um governo que defende cortes de impostos e menor intervenção do estado, ao mesmo tempo implementar tarifas que, no fundo, são uma forma de intervenção direta no mercado?

O protecionismo econômico, como o aumento de tarifas, é um imposto disfarçado. Ele resulta em preços mais altos para os consumidores e prejudica a eficiência do mercado, promovendo um sistema de expropriação econômica onde o governo retira recursos das pessoas para beneficiar indústrias específicas. A lógica é simples: tarifas elevadas encarecem produtos importados, forçando os consumidores a comprar produtos nacionais, muitas vezes de qualidade inferior e a preços mais altos.

O histórico de Hamilton versus Jefferson: um debate eterno

Esse debate sobre tarifas não é novo. Remonta aos primórdios dos Estados Unidos, quando duas figuras influentes, Alexander Hamilton e Thomas Jefferson, delinearam as direções econômicas do país. Hamilton, primeiro secretário do Tesouro, defendia tarifas mais altas e uma intervenção governamental forte, enquanto Jefferson, primeiro secretário de Estado e terceiro presidente, era um fervoroso defensor da descentralização e do mercado livre. Desde a Guerra Civil, a visão de Hamilton prevaleceu, resultando em um período onde as tarifas de importação dos EUA estavam entre as mais altas do mundo.

Contudo, o sucesso econômico dos Estados Unidos, desde sua independência até os dias atuais, não pode ser atribuído apenas às políticas de tarifas altas, mas sim ao respeito pelas liberdades individuais, pela proteção à propriedade privada e pela facilidade de fazer negócios. É o comércio livre e o empreendedorismo descentralizado que têm sido os maiores motores do progresso, e não as políticas protecionistas.

O impacto das tarifas na economia

Durante o primeiro mandato de Trump, o aumento das tarifas foi central. Produtos como painéis solares, aço e alumínio tiveram tarifas elevadas, mas os resultados foram desastrosos. O déficit comercial aumentou, os preços subiram e a renda real das famílias caiu. O impacto foi sentido principalmente nas classes médias e mais baixas, que enfrentaram preços mais altos sem qualquer benefício substancial em termos de empregos ou crescimento econômico.

Esse tipo de política não estimula a competitividade e, em um mercado globalizado, é inevitável que as economias mais abertas e eficientes, como a da China, por exemplo, se beneficiem mais. Isso torna o protecionismo uma medida temporária que, no longo prazo, prejudica mais do que ajuda.

A grande aposta na eficiência governamental

Se por um lado as tarifas elevadas são um retrocesso, o foco de Trump em aumentar a eficiência do governo oferece uma esperança de mudança positiva. A criação do "Department of Government Efficiency", com Elon Musk e Vivek Ramaswamy como líderes, tem o potencial de economizar trilhões de dólares e reduzir o funcionalismo público. Musk, conhecido por sua habilidade em cortar custos e promover a eficiência, pode ser a chave para combater o desperdício no governo.

Os Estados Unidos gastam exorbitantemente em administração pública, como se vê no setor de saúde, educação e no Código Tributário que ultrapassa 70.000 páginas. Um corte significativo no tamanho e no custo do governo seria, sem dúvida, benéfico para a economia. E se Trump, com o apoio de Musk e outros, conseguir realizar ao menos parte dessas promessas, isso representaria um passo importante em direção a um governo mais enxuto, menos ineficiente e mais orientado para o mercado.

O futuro: mais liberdade ou mais controle?

Apesar de a visão libertária ideal buscar a eliminação total do Estado, reconhece-se que mudanças gradualistas no sistema atual são necessárias. A redução de impostos e gastos é um passo importante, mas precisa ser acompanhada de uma maior descentralização e liberdade de mercado. Modelos descentralizados de governança, como as criptomoedas, podem representar alternativas mais eficientes ao modelo centralizado de governo.

O aumento da adesão ao Bitcoin, por exemplo, é uma forma de garantir que as pessoas não fiquem à mercê de um governo que controle sua moeda e sua economia. A tendência é que o governo, em algum momento, tente substituir o dinheiro físico por uma moeda digital, o que daria às elites mais poder sobre as transações dos cidadãos. Nesse sentido, o avanço das tecnologias descentralizadas, como o Bitcoin, é uma forma de preservação da liberdade econômica.

Conclusão: o futuro ainda está por vir

O sucesso de Trump em reduzir a burocracia e melhorar a eficiência do governo poderia fornecer um alívio temporário. Mas a verdadeira mudança só acontecerá quando a sociedade, como um todo, compreender que o mercado descentralizado e a liberdade econômica são os pilares do verdadeiro progresso. Para que isso aconteça, será necessário mais tempo, mais preparação e uma conscientização crescente de que a intervenção estatal em excesso só retarda o crescimento e a inovação.

O futuro econômico dos Estados Unidos e, por extensão, o futuro das sociedades ocidentais, dependerá da capacidade de reduzir a presença do governo na economia, promovendo uma maior liberdade econômica para os indivíduos. Se Trump conseguir equilibrar cortes de gastos com um aumento de tarifas, será um avanço parcial, mas é na descentralização do poder e na liberdade de mercado que reside a chave para um futuro mais próspero e livre.

Por enquanto, vamos torcer para que o espírito do tempo mude a favor das ideias de liberdade, e que o governo grande e ineficiente, com sua burocracia, ceda espaço para um modelo mais dinâmico e criativo de governança.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Postagens mais visitadas