quinta-feira, 26 de setembro de 2024

A China Comunista Encolhe Enquanto Jovens Preferem Animais de Estimação a Filhos


Bem-vindos à Café Opinativa.FM, sua fonte descentralizada de informações e análise crítica. Hoje, falaremos sobre uma tendência demográfica alarmante que está moldando o futuro da China Comunista. Enquanto a população do país encolhe, os jovens chineses estão optando por ser "pais" de cães e gatos, em vez de ter filhos. Vamos mergulhar nessa realidade e nas suas implicações para o futuro econômico da China.

Não é novidade que a China está enfrentando uma grave crise demográfica. Embora ainda tenha uma população gigantesca, estimada em 1,4 bilhão de habitantes, o país recentemente perdeu o título de nação mais populosa do mundo para a Índia. O principal fator por trás desse fenômeno é a queda drástica na taxa de natalidade da China, aliada ao rápido envelhecimento da população, uma verdadeira bomba-relógio demográfica.

Agora, um novo dado chamou a atenção. Segundo uma pesquisa realizada pelo Banco de Investimentos Goldman Sachs, o número de animais de estimação na China urbana está prestes a superar o número de crianças com até quatro anos de idade. Isso não é uma simples curiosidade, mas um reflexo da profundidade da crise demográfica que assola o país.

A Ascensão dos "Bebês Peludos"

A pesquisa revela que até o final deste ano, o número de animais domésticos na China urbana já deverá ser maior do que o de crianças pequenas. E a tendência só deve se acentuar nos próximos anos. Segundo estimativas, em 2030, haverá quase o dobro de animais de estimação em relação ao número de crianças com até quatro anos. Em números concretos, serão cerca de 70 milhões de pets contra apenas 40 milhões de crianças pequenas.

Esse cenário não é único na Ásia. No Japão, por exemplo, o número de pets já é quatro vezes maior que o de crianças pequenas. Mas o caso da China chama mais atenção por se tratar de um país que até pouco tempo atrás era conhecido por suas famílias numerosas.

Esse aumento expressivo no número de pets tem uma explicação: os jovens chineses estão optando por adotar cães e gatos em vez de formar famílias tradicionais com filhos. Metade dos donos de pets na China tem entre 23 e 33 anos, uma faixa etária que, em gerações anteriores, já estaria em pleno ciclo de reprodução.

O Papel do Estado na Crise

Como qualquer crise em países autoritários, a origem desse problema pode ser rastreada até o próprio governo. A política do filho único, implementada pelo Partido Comunista Chinês em 1979, visava conter o crescimento populacional, mas acabou gerando distorções profundas. Uma delas foi a disparidade de gênero, com 20% mais homens do que mulheres, resultado de abortos seletivos e abandono de meninas, práticas comuns durante a implementação dessa política draconiana.

Mais grave ainda foi o impacto dessa política na cultura familiar chinesa. Gerações foram criadas com a ideia de que famílias pequenas, ou até mesmo a ausência de filhos, eram normais e desejáveis. Quando o governo finalmente percebeu a gravidade da situação e começou a flexibilizar as regras em 2016, permitindo dois e depois três filhos por casal, o estrago já estava feito. Ao invés de aumentar, a taxa de natalidade despencou ainda mais, tornando a situação irreversível.

A taxa de crescimento populacional chinesa, que já estava em declínio, se tornou negativa pela primeira vez em 2022. Hoje, o governo tenta desesperadamente incentivar os casais a terem mais filhos, oferecendo incentivos financeiros e promovendo campanhas que exaltam o casamento e a maternidade. Mas é tarde demais. A mudança cultural causada por décadas de intervenção estatal é difícil de reverter.

Custos Altos, Salários Baixos, Jovens Desmotivados



Outro fator que agrava essa crise é o alto custo de criar filhos na China. De acordo com o Goldman Sachs, o custo de vida na China, especialmente nas grandes cidades, tornou a criação de filhos um luxo inacessível para muitos jovens. O desemprego entre os chineses com menos de 25 anos está em níveis alarmantes, e a explosão da bolha imobiliária, que inviabiliza a compra de imóveis maiores, faz com que a ideia de formar uma família com crianças pareça cada vez mais impraticável.

Animais de estimação, por outro lado, demandam menos espaço e são consideravelmente mais baratos de manter. Isso ajuda a explicar por que muitos jovens chineses preferem cuidar de cães e gatos em vez de ter filhos. Essa preferência está mudando o único setor da economia chinesa que tem visto crescimento significativo nos últimos anos: o de produtos e alimentos para pets, que cresceu 16% ao ano desde 2017.

A Armadilha Demográfica

A China está presa em uma armadilha que ela mesma criou. Décadas de políticas autoritárias e tentativas de controlar o comportamento reprodutivo dos cidadãos resultaram em uma população que não está disposta a ter filhos, mesmo com incentivos financeiros. Como resultado, o país está caminhando para um colapso demográfico.

O governo de Xi Jinping já admitiu o problema e reconhece que será necessário "cultivar ativamente uma nova cultura de casamento e maternidade". Mas será que isso é possível? A cultura chinesa mudou profundamente e, ao que tudo indica, essa mudança é irreversível no curto prazo. O número de jovens dispostos a ter filhos é cada vez menor, enquanto a economia enfrenta desafios estruturais gigantescos, como o aumento da desigualdade e o desemprego juvenil.

A Crise Demográfica e o Futuro da China

Se a China não encontrar uma maneira de reverter esse declínio populacional, as consequências podem ser desastrosas. A força de trabalho do país está envelhecendo rapidamente, o que vai sobrecarregar o sistema de seguridade social e reduzir a capacidade produtiva da economia. O custo econômico dessa crise demográfica será imenso, e a capacidade da China de competir no cenário global poderá ser seriamente comprometida.

Em resumo, o declínio populacional da China, impulsionado pela política estatal e pelos altos custos de vida, está mudando a cultura familiar e econômica do país. O fenômeno dos "pais" de cães e gatos é apenas a ponta do iceberg de um problema muito maior, que pode determinar o futuro da China como potência global.

Agradecemos sua audiência! Não deixe de curtir, compartilhar e comentar sua opinião sobre esse tema tão urgente e relevante. Este artigo foi uma contribuição da equipe Café Opinativo.FM, sua fonte de informação crítica e descentralizada. Até a próxima!

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