terça-feira, 10 de setembro de 2024

A Frustração Popular e o Declínio das Forças Armadas Brasileiras: Reflexos do Desfile de 7 de Setembro

 


O último 7 de setembro marcou um momento peculiar na história recente do Brasil, com eventos que trouxeram à tona importantes questões sobre o apoio popular ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva, além de um declínio no prestígio das Forças Armadas. Tradicionalmente, o desfile militar atrai multidões que, além de reverenciarem o patriotismo e a nação, celebram o papel das Forças Armadas. No entanto, este ano, o cenário foi drasticamente diferente, revelando um deserto de público e gerando discussões sobre a real aprovação do governo e a queda de credibilidade nas instituições militares.

O vazio na Esplanada dos Ministérios

Embora tenha havido uma convocação para que funcionários e colaboradores de todos os ministérios estivessem presentes na Esplanada dos Ministérios durante o desfile, a adesão foi mínima. Isso mostra um duplo indicativo: a rejeição não apenas ao governo Lula, mas também ao que as Forças Armadas representam no atual contexto político brasileiro.

Os desfiles de 7 de setembro sempre tiveram um caráter simbólico importante. Além de ser uma celebração da Independência do Brasil, muitos cidadãos participam para homenagear as Forças Armadas, uma instituição que, ao longo dos anos, cultivou uma imagem de defensora da pátria e da ordem. Contudo, as imagens deste ano refletiram uma realidade desconcertante — a quase total ausência de público, o que vai além da mera crítica ao governo, e também evidencia uma desilusão generalizada com as Forças de Segurança.

O colapso de credibilidade nas Forças Armadas

Durante décadas, as Forças Armadas brasileiras desfrutaram de um status elevado, sendo vistas como pilares da segurança nacional e símbolos de soberania. Porém, o atual cenário político parece ter afetado profundamente essa percepção. As imagens do desfile, mostrando uma Esplanada vazia, sugerem que muitos brasileiros já não veem mais as Forças Armadas com a mesma admiração de outrora. Esse declínio de prestígio é um reflexo direto do envolvimento das Forças Armadas em questões políticas nos últimos anos, especialmente com sua postura durante e após o governo Bolsonaro.

As Forças Armadas, uma vez vistas como guardiãs da pátria, agora enfrentam uma crise de credibilidade. A politização de seu papel, somada à percepção de alinhamento com certos grupos políticos, levou muitos brasileiros a se afastarem dessa instituição. O desfile esvaziado é uma demonstração tangível de que a confiança no que antes era uma pedra angular do nacionalismo brasileiro está se esvaindo.

Contraste com a Avenida Paulista: Apoio Popular a Bolsonaro

Enquanto em Brasília o vazio era gritante, em São Paulo, na Avenida Paulista, o cenário era outro. Dezenas de milhares de pessoas compareceram para demonstrar apoio a Jair Bolsonaro, o ex-presidente que perdeu nas últimas eleições. A cena contrastante entre Brasília e São Paulo reflete o momento político polarizado em que o Brasil se encontra.

É intrigante notar que, enquanto Lula, acompanhado de toda sua cúpula política, estava presente na Esplanada dos Ministérios, o público parecia ausente. A ausência não apenas de civis, mas também de funcionários cujos empregos dependem da obediência às ordens políticas, revela um profundo descontentamento com a atual administração. O descrédito não é somente do governo federal, mas também das figuras que se autoproclamam "defensores da democracia", como frequentemente se referem os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e outras autoridades.

A narrativa de que Lula e sua cúpula representam a vontade popular foi fortemente questionada quando, no mesmo dia, Bolsonaro reuniu um número impressionante de apoiadores na Paulista. Isso levanta questões importantes sobre a legitimidade do discurso de que o atual governo representa os anseios da maioria da população brasileira. O evento em São Paulo não foi apenas uma manifestação de apoio a Bolsonaro, mas uma clara demonstração de que uma parte significativa do povo brasileiro continua alinhada com sua visão de governo.

Cancelamento estratégico das sessões do Congresso

Outro ponto que chama a atenção no atual cenário político é a tentativa de esvaziamento das sessões do Congresso Nacional, especialmente após o desfile de 7 de setembro. O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, tomou a decisão de cancelar as sessões da semana, uma movimentação vista por muitos como uma tentativa de enfraquecer a oposição, que chegaria fortalecida após as manifestações.

O esvaziamento das sessões ocorre em um contexto onde a oposição, liderada por figuras como o senador Eduardo Girão, planejava apresentar um pedido de impeachment de ministros do STF. A estratégia de Pacheco parece ter como objetivo evitar uma demonstração de força da oposição em um momento em que o governo federal se encontra enfraquecido politicamente. Contudo, mesmo com a suspensão das sessões presenciais, 25 deputados da oposição confirmaram que viajarão a Brasília para participar do ato simbólico de entrega do pedido de impeachment.

A manobra de Pacheco, que permite que as votações sejam feitas de forma remota, através de dispositivos móveis, visa impedir que a oposição ganhe visibilidade e força política com a presença física em Brasília. No entanto, o ato simbólico de entrega do pedido de impeachment demonstra que a oposição está disposta a continuar sua luta, mesmo diante das tentativas de esvaziamento político.

A força das ruas e a tentativa de silenciar a oposição

O vazio nas ruas de Brasília durante o desfile e o cancelamento das sessões do Congresso são indicativos de um governo que se encontra em uma situação delicada. As manifestações populares, mesmo que esvaziadas em alguns momentos, ainda possuem um peso significativo na política brasileira. A oposição, por sua vez, parece estar se fortalecendo, alimentada pelo apoio popular que continua a ser demonstrado em eventos como o da Avenida Paulista.

As tentativas de silenciar ou minimizar a oposição, seja através do controle do Congresso ou da narrativa de que a democracia está sendo defendida por um pequeno grupo de autoridades, só tem alimentado ainda mais o descontentamento popular. A imagem de Lula, rodeado por sua cúpula de poder, mas sem o povo ao seu lado, é simbólica de um governo que está cada vez mais isolado.

Enquanto isso, Bolsonaro, mesmo fora do poder, continua a atrair multidões. O que deveria ser um dia de celebração nacional tornou-se um reflexo do atual estado de polarização política no Brasil. De um lado, um governo que se esforça para manter a narrativa de que representa a vontade popular. Do outro, uma oposição que, mesmo com todas as tentativas de esvaziamento político, ainda conta com um apoio significativo nas ruas.

Conclusão

O desfile de 7 de setembro de 2024 ficará marcado como um ponto de virada na percepção do governo Lula e das Forças Armadas no Brasil. As imagens de uma Esplanada dos Ministérios praticamente deserta são um reflexo do descontentamento popular e da perda de prestígio das instituições que, outrora, eram veneradas. O contraste com as manifestações massivas em apoio a Bolsonaro em São Paulo destaca a divisão que permeia a sociedade brasileira.

À medida que as tensões políticas aumentam, especialmente com o cancelamento estratégico das sessões do Congresso, a luta entre governo e oposição se intensifica. No entanto, fica claro que, no atual cenário, a força das ruas ainda tem um papel fundamental na definição dos rumos políticos do Brasil. O governo pode tentar esvaziar o Congresso, mas não pode ignorar a crescente insatisfação popular. E, enquanto a oposição continuar a contar com o apoio das ruas, a batalha política está longe de ser decidida.

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