O Rio de Janeiro, mundialmente famoso por suas belezas naturais e eventos icônicos, como o Carnaval, tem sido cada vez mais associado a um triste retrato de violência, corrupção e controle pelo crime organizado. Uma cidade que já foi um símbolo do Brasil no exterior, hoje está sob o jugo de facções criminosas e milícias, que atuam como um verdadeiro "estado paralelo", impondo suas regras e cobrando tributos de seus próprios "súditos".
Segundo estimativas, cerca de 20% da região metropolitana do Rio, composta por 22 municípios e mais de 13 milhões de pessoas, encontra-se atualmente sob o controle de facções criminosas e milícias. Esses grupos, como o Comando Vermelho e diversas milícias, não apenas controlam o tráfico de drogas e armas, mas também dominam setores essenciais como transporte, gás e serviços locais, impondo uma "taxa de proteção" aos comerciantes e moradores. Essa dupla tributação — o imposto formal do Estado e o imposto do crime — sufoca ainda mais a população já vulnerável, roubando sua dignidade e restringindo suas oportunidades de prosperar.
O que torna essa situação ainda mais bizarra e trágica é o fato de que as milícias são, em sua essência, compostas por agentes do próprio Estado. Policiais militares, bombeiros, e até agentes das Forças Armadas e do sistema penitenciário, que deveriam garantir a segurança da população, muitas vezes estão do outro lado, fazendo parte da máquina criminosa que controla vastas áreas da cidade.
Em 2023, por exemplo, as facções controlavam mais de 1.700 localidades, sendo 51,9% dominadas pelo Comando Vermelho e 38,9% por milícias. Os moradores dessas áreas vivem sob constante medo, com suas vidas sendo ditadas por regras impostas pelo "tribunal do crime", que pode determinar desde o fechamento de um comércio até a morte de quem não obedece.
A ineficácia do Estado em combater essas forças paralelas se tornou ainda mais evidente após a imposição da ADPF 635 pelo STF, que limitou as operações policiais em comunidades cariocas. O resultado? Um aumento significativo nas disputas territoriais entre facções, com o Comando Vermelho expandindo suas operações, especialmente na Zona Oeste, áreas como Gardênia Azul, Rio das Pedras e outras.
A inovação tática dos criminosos também chegou a outro nível. Em julho de 2024, traficantes do Complexo de Israel utilizaram drones para lançar granadas em rivais, uma tática que se tornou comum em guerras internacionais, como na Ucrânia. Esse nível de sofisticação armamentista, com o uso de drones, metralhadoras e até lançadores de foguetes, demonstra o completo descontrole do Estado sobre a segurança pública.
Diante desse caos, a pergunta que fica é: onde estão nossos políticos? A resposta é simples — muitos deles estão presos ou envolvidos em escândalos de corrupção. Governadores como Sérgio Cabral, Luiz Fernando Pezão e Wilson Witzel, e prefeitos como Eduardo Paes e Marcelo Crivella, já foram investigados, presos ou condenados por diversos crimes, desde formação de quadrilha até corrupção passiva. E isso sem contar os incontáveis vereadores e secretários que seguem o mesmo caminho.
O que vemos no Rio de Janeiro é o exemplo claro de como a corrupção e a ineficácia do Estado burocrático, coercitivo e monopolista podem transformar uma cidade em um verdadeiro campo de batalha, onde a população vive acuada, paga impostos exorbitantes e vê seus direitos fundamentais serem constantemente violados.
O que resta ao povo carioca? Resistir, sobreviver e, infelizmente, esperar que a próxima geração de políticos seja diferente. Mas será que ainda há esperança de que o Rio de Janeiro volte a ser a "Cidade Maravilhosa"? A julgar pelos últimos anos, essa esperança se esvai a cada dia, assim como a dignidade daqueles que ali vivem.
Essa é a triste realidade do Rio de Janeiro, onde o estado democrático de direito falhou miseravelmente, ou, quem sabe, tem funcionado perfeitamente — para aqueles que o controlam.
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