A recente decisão de um fundo de pensão britânico em alocar 3% de seu portfólio em Bitcoin, totalizando US$ 65 milhões, trouxe à tona uma questão que já pairava no ar: é possível dizer que o Bitcoin é “too big to fail”? Mais do que um movimento pontual, essa decisão representa um marco na institucionalização da criptomoeda.
O mais intrigante é que o fundo optou pela autosscustódia, recusando soluções mais tradicionais, como ETFs. Esse detalhe revela uma preocupação clara: assegurar que os bitcoins sejam efetivamente seus, reforçando o mantra cripto de “Not your keys, not your coins”. A consultoria financeira Car Wright, que assessorou o investimento, justificou a escolha argumentando que o Bitcoin é uma proteção contra a diluição das moedas fiduciárias, além de oferecer diversificação e assimetria positiva ao portfólio.
### A institucionalização e o dilema libertário
Esse movimento, embora animador, gera uma compreensível apreensão entre libertários e entusiastas da criptomoeda. Afinal, à medida que o Bitcoin adentra o universo institucional, a possibilidade de regulações mais severas também aumenta. Governos, sempre ávidos por controle, podem tentar legislar sobre aspectos como mineração, compliance ou até mesmo propor alterações no código-fonte. Contudo, essa mesma institucionalização pode atuar como um escudo.
Conforme mais fundos de pensão e grandes investidores entram no jogo, aumenta o lobby contra regulações prejudiciais. Proibir o Bitcoin seria, nesse cenário, prejudicar aposentados e investidores institucionais. Além disso, é improvável que governos consigam coordenar uma proibição global efetiva. A história está repleta de fracassos nesse sentido – do banimento do ouro pelos EUA em 1933 às repetidas tentativas de controlar o Bitcoin, todas falhas.
### Uma ferramenta antifrágil
Se há algo que o Bitcoin demonstra consistentemente, é sua antifragilidade. A cada tentativa de repressão, a criptomoeda emerge mais forte. Sua natureza descentralizada, com ausência de um ponto fixo de ataque, torna quase impossível confiscá-lo ou bani-lo completamente. Para além disso, o Bitcoin funciona em dois universos paralelos: o institucional e o peer-to-peer.
No mundo institucional, vemos gestoras como BlackRock e fundos de pensão buscando exposição à criptomoeda como uma forma de diversificação e hedge contra a inflação. Já no universo peer-to-peer, o Bitcoin continua sendo utilizado como meio de troca em economias instáveis, como Nigéria e Vietnã, onde moedas locais são frequentemente desvalorizadas.
### A interseção entre dois mundos
É aqui que o Bitcoin se destaca: ele navega entre esses dois mundos aparentemente contraditórios. De um lado, serve como ferramenta de diversificação patrimonial para grandes instituições. De outro, é o dinheiro de quem busca escapar do controle estatal. Essa convergência cria um ciclo virtuoso. Mais adoção significa maior valor de mercado, o que, por sua vez, estimula novos entrantes e fortalece o ecossistema.
### O futuro: desafio ou oportunidade?
A adoção por fundos de pensão é apenas o começo. O Bitcoin tem potencial para se tornar um ativo essencial em portfólios globais, ao mesmo tempo em que continua sendo uma ferramenta de resistência contra governos autoritários. Se antes era um nicho para entusiastas e visionários, agora é uma realidade para investidores institucionais. Como diria Hayek, talvez estejamos testemunhando o nascimento do dinheiro verdadeiramente livre.
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