Não é de se espantar uma nova medida populista vinda de uma empresa estatal deficitária. Dessa vez, os Correios anunciaram um gasto de aproximadamente R$ 200 milhões para pagar o famoso "Vale Peru" de fim de ano, no valor de R$ 2.500 para seus 84.700 funcionários, como parte de um acordo feito com o sindicato da categoria. Esta medida, negociada na Convenção Coletiva de 2024, será paga, mesmo com a empresa enfrentando um dos maiores déficits de sua história – algo que, em 2024, pode ultrapassar os R$ 2 bilhões, superando o prejuízo histórico de 2015.
A situação dos Correios é um exemplo claro da falácia do modelo estatal. Vamos desmistificar essa ideia tão defendida por algumas esferas políticas de que o Estado é nosso "carteiro" e precisa garantir esses serviços, especialmente em áreas mais remotas. O verdadeiro cenário nos mostra que os Correios, assim como outras estatais, operam em uma lógica falida: privatização dos lucros e socialização dos prejuízos. O governo financia a ineficiência pública com os impostos pagos pelo cidadão e, em troca, nos oferece serviços de qualidade inferior.
O mito do Estado como o único carteiro: uma falácia histórica
A questão aqui não é apenas o custo de uma empresa pública que se encontra à beira do colapso, mas a ideologia por trás de sua existência. Socialistas frequentemente defendem que o Estado deve ser o responsável por serviços essenciais, como o correio, em nome da "igualdade" e "acesso universal", principalmente para aqueles que moram em locais mais remotos. Eles alegam que sem o correio estatal, essas pessoas estariam sem qualquer forma de comunicação, como se o Estado fosse um benfeitor preocupadíssimo com o bem-estar de todos. Contudo, isso é um engano.
Há muito tempo, o filósofo anarquista Lysander Spooner demonstrou que era possível oferecer um serviço postal mais eficiente e barato sem a necessidade do monopólio estatal. Em 1844, Spooner fundou a American Letter Mail Company, uma empresa privada de correios que, com o uso de diligências de cavalos, conseguiu alcançar lugares que os Correios do Estado não conseguiam. Mas o governo dos Estados Unidos, na época, não gostou de ver a concorrência e forçou a empresa de Spooner a fechar, impondo restrições legais. Este exemplo histórico é uma lição clara de que o mercado privado pode oferecer serviços postais mais eficientes do que o Estado.
A realidade dos Correios no Brasil: ineficiência e monopólio estatal
No Brasil, a situação não é muito diferente. O excesso de greves nos Correios tem dado espaço para empresas privadas de logística, que agora conseguem entregar encomendas até em áreas rurais de difícil acesso. O mercado, ao integrar diferentes modais de transporte (rodoviário, ferroviário, aéreo e até hídrico), tem se mostrado capaz de atender melhor às necessidades dos consumidores. As empresas de logística têm interesse direto em garantir que suas entregas cheguem aos clientes, porque é assim que elas lucram.
Já o Estado, por ser monopólio, não tem o mesmo incentivo. O governo não se importa com a qualidade do serviço, pois não enfrenta concorrência. Além disso, com os subsídios pagos pelo contribuinte, os Correios não só cobram mais, como ainda recebem uma boa parte dos impostos de todos, incluindo aqueles que não utilizam os serviços postais. Se os Correios fossem privatizados, poderiam ser mais eficientes e mais baratos, e o mais importante: quem não usa o serviço não pagaria por ele.
O Estado como um parasita: mais uma justificativa para sua presença
A justificativa de que o Estado deve garantir os serviços postais nas áreas mais remotas é uma falácia. O que realmente acontece é que as empresas privadas já têm encontrado soluções para atender essas regiões. Algumas empresas de logística contratam transportadoras especializadas ou utilizam sistemas locais para entregar faturas, por exemplo. O mercado privado pode perfeitamente se ajustar para alcançar até os locais mais afastados, desde que o Estado não seja o responsável por monopolizar os serviços.
Além disso, muitas empresas, como as fornecedoras de energia elétrica, passaram a adotar aplicativos para pagamento de contas, reduzindo a dependência dos Correios. Com mais liberdade econômica, o mercado poderia expandir e gerar alternativas melhores e mais rápidas para o envio de correspondências, sem depender da ineficiência e dos altos custos dos Correios estatais.
A solução está na liberdade de mercado, não no controle estatal
O verdadeiro problema está na intervenção estatal que impede a livre iniciativa. O governo age como um monopólio, forçando a população a pagar por um serviço que não é eficiente, apenas porque ele é estatal. Quando o governo adota esse tipo de postura, ele não só prejudica os consumidores, mas também cria um sistema injusto em que as pessoas são forçadas a subsidiar os serviços postais, mesmo aquelas que não utilizam.
A solução, portanto, não está em mais Estado, mas em menos Estado. Ao liberar o mercado, haveria mais concorrência, mais eficiência, melhores preços e mais soluções para os problemas reais da sociedade. O Estado, ao contrário, não tem os meios para alocar recursos de maneira eficiente e, portanto, acaba criando escassez e racionamento.
Conclusão: a falácia do Estado e o controle da informação
Por fim, não podemos ignorar a verdadeira intenção do Estado ao controlar os Correios. Não se trata de ser o bom carteiro, prestando serviços para todos. A verdadeira razão está em controlar a informação. Antes da internet, as cartas eram uma das principais formas de comunicação, e o governo sabia disso. Assim, o controle estatal sobre os Correios significava poder vigiar, censurar e controlar a população, especialmente aqueles que se opunham ao regime. Hoje, com as redes sociais e a internet, o governo perde esse controle, o que explica, em parte, a crescente busca pelo controle da informação e a censura de vozes dissidentes.
Portanto, os Correios não são apenas uma empresa pública deficitária, mas um símbolo de um modelo falido de intervenção estatal na economia. Privatizar, liberar a concorrência e permitir que o mercado se regule são as verdadeiras soluções para o problema. O Estado, como o nosso carteiro, é apenas um mito.
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